terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CC


CC

A sala fria
A primeira, com sangue chega
A circulante
Enfermeira das coisas
Arruma minuciosamente tudo:
Panos estéreis
Plásticos, também estericos
Tudo no lugar
Menos os olhos,
Que plainam na sensação
Neurótica e nistagmatica do esquecimento
"não me pergunte nada
Fale com os anestesistas"
Mas não quero saber da ausência da dor,
Quero entende-la
Quero saber o que existe
Entre gorros floridos, mascara e este azul sem céu
Que te tira da nudez homo sapiana
Quero sua palavra na ausência dos cirurgiões
Procuro a palavra entre a lista
Que carrega, de cor, ao montar
Este teatro de horrores curáveis
"não me incomode com suas perguntacoes...
Tão sem éter,
Tão emendadas no extra-campos amicrobioticos"
Não mais interrompo
Sua cotidiana e ritualesca sina
Contar compressas
Em lentas epifanias: "falta uma"

Fabrício Donizete da Costa