quinta-feira, 29 de abril de 2010

HAIKAI


Olá!

Ontem não passei por aqui...
Inevitável.
Tem dias que é preciso pegar outras ruas.
Mas, chegar ao mesmo destino.

Então...
Hoje compenso a ausência da visita,
Com uns HAIKAIS...

Sim, com a concretude e a imagens dos poemas do fundo da bateia!
Uma inspiração, de uma apresentação bem-humorada da aula de Francês do CEL!

Att.
Bambu

HAIKAI (Por Guilherme de Almeida)

"Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
fica uma pepita"

***

"Meio-dia e as sombras somem
Eis uma escondida
Embaixo do homem."

(Por Millôr Fernandes)

***
Dicas na internet!

hai-kais.blogspot.com
postoqueposto.blogspot.com

Até mais ver!
Amanhã novos ares,
A visita a cidade maravilhosa!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Jacira e sua mãe - Uma anamnese


Minha mãe estava caidinha.
Cara de defunta, que Deus me livre, com o perdão da palavra.
Amuadinha, não queria sair de casa.
Só ficava deitada.
Minha mãe não estava boa.

O médico disse que ela estava com anemia.
Sulfato ferroso e nada.
Minha mãe fez exames.
Estava com câncer.
De novo, depois de 20 anos.

Está operada.
Sente cólicas e tem um adesivo nos pés que eu não sei por que está lá.
Queria limpar, tirá-lo, posso?

E eu?
A, eu moro com minha mãe.
Sou costureira.
Estou afastada, por invalidez.
Tenho Insuficiência Renal Crônica.
Está controlada, só com remédios.
Eu não casei, sou solteira.
Não achei um doido que quisesse me desposar.

De noite não saio.
Não gosto. Tenho medo.
Antes saída, aos bailes e discotecas.
Mocidades e madrugadas.
Tenho medo de chuva.
De raios e trovões.

Chove, estou só, corro para a casa da vizinha.
Busco minha sombrinha e saio de casa.
Quando minha mãe está ao meu lado,
Arma chuva, eu peço que ela não saia.
Ela tem obrigações paroquiais,
cuida das chaves do cômodo de reuniões.
Peço que não me deixe, com a chuva e seus barulhos.

Mas minha mãe é livre.
Vai com a chuva e volta sem ela.
Eu fecho os olhos, cubro a cabeça, escureço o quarto.
Às vezes rezo, muitas outras durmo.
Outras tantas sonho.
E assim o medo vai-se como a enxurrada
Que escorre pelas pedras do calçado irregular das ruas de Caconde.

sábado, 24 de abril de 2010

Nhambuzim


Para quem gosta de Guimarães Rosa!
Para quem ouve música quando lê Grande Sertão: Veredas!
Um grupo de cantores paulistas, muito bom!

N H A M B U Z I M ! ! ! !

Segue abaixo uma de suas letras só para dar uma curiosidadezinha...

Nonada de mim

Música e letra: Edson Penha
insp. em Grande Sertão: Veredas


Sabe, senhor
É a minha verdade, senhor
Fim que foi meu amor
Toleima, senhor

Sabe, senhor
O amor faz trapaça, senhor
Nos embebeda em desgraça
Nonada de mim

No calor dos olhos verdes
Fique certo que o amor
Foi perdido no fogo
Da terra, senhor

No calor dos olhos verdes
O silêncio tem cor
Queima o desejo
Meu medo, senhor

Diadorim, que passou por mim
Que meus dedos não tocou, não tocou
Diadorim, que passou por mim
E que em minha alma a incerteza queimou

Sabe, senhor...

Diadorim que passou o amor
Que meus dedos não tocou, não tocou
Diadorim que passou o amor
No sertão: veredas da minha dor


Mais informações, vide site
www.nhambuzim.com

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pílulas sem palavras


Doutor, sou analfabeta.
No meu tempo, escola não havia.
De certo havia, mas trabalho não deixava.
Na roça, as mãos buscam cedo o trabalho.
Na roça plantei minha mocidade.

Agora esses remédios que tomo.
São tantos. São muitos.
São todo o santo dia.

Um é de manhã, às 6:00.
Outros dois às 10:00, no almoço.
Outros só às 10:00, de noite.

Mas eu não confundo não.
Minha neta me ajuda.
O alarme do celular toca na hora dos remédios.
Lembro-me sempre de tomar.
Tomo certinho.
É de mim, o zelo.

Minha mãe morreu com 105 anos.
De velhice.
Meu velho, esse não vem no médico.
Não gosta.
Fica no mato, na roça.
Ele teve derrame.
Hoje fala de vez em quando sozinho...

Eu fico sozinha, até que bastante.
Mas escuto o rádio.
Os remédios eu tomo com água, ou leite, ou suco.
Dos chás, o de folha de abacate e quebra-pedras, quando me dói de lado.

Vou pra casa, antes da chuva.
Dos remédios, faltam 2.
Filho meu compra na farmácia.
Moro na beira do rio.
O ônibus não passa mais nesse horário.
Não vai até lá em baixo.
Chego antes da chuva.

Centro Cirúrgico


A porta de vidro foi aberta com um aperto de uma tecla.
A 3 passos, encontra-se uma janela lateral, de vidro corrido.
Do outro lado, os ternos cirúrgicos, as tocas, as máscaras e as mãos silenciosas que conduzem o primeiro paramento em direção às mãos do outro lado.
Agradeço e minha resposta ecoa sem resposta.

A próxima porta à esquerda me conduz ao vestiário.
Lá, as vestes brancas do hospital tornam-se ocultas.
Estou paramentado.

O próximo corredor, saindo do vestiário, conduz às salas cirúrgicas.
Cada número, um procedimento.
Cada procedimento, um paciente.
Cada paciente, algumas tantas outras pessoas nos mais diversos cantos e atos.
Alguns leem, outros escrevem, outros abrem campos estéreos com todo zelo, pensando no oculto contaminante entre as brechas invisíveis ao olhar humano.
Outros instrumentam. Poucos "cirurgiam"...

Eu, com as mãos vigiadas, observo o desenrolar das cirurgias.
Um mundo vertiginoso: enquanto um ganha a liberdade aórtica após o fim de uma coarctação, outro ganha a saúde tendo um dos membros inferiores desvinculado de si.
A cirurgia e seus rituais... um mundo tão novo quanto instigante.
Mundo de limites tênues, como a espessura do fio 7 zeros sob a agilidade de dedos treinados e olhos sob lentes de aumento.

E esta máscara que não me impede de sentir o cheiro do humano por dentro!
E esta toca que ao recobrir minhas orelhas demonstra o quão clinica é minha postura.

Meu dia na cirurgia foi assim: de descobertas sutis!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sobre o sol...


Foto divulgada pela NASA
O sol tem foto nova!
Continua um astro-rei!

Mas lembrando-se de sol, não se pode esquecer do fogo...
E hoje o dia foi uma brasa...
Muita coisa, que com palavras, até cansaria a leitura...

Contudo, do trauma facial à canção para o Raphaël anjo-e-diabo de Carla Bruni, meu dia passou como o nascer ou o esconder do sol - A-BRUPTAMENTE!

Aqui as estórias acabam... antes que o depoimento saia para amanhã!
Inté...
Bambu!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O vôo cego: reflexões sobre a Formação Médica I


Olá a todos os que seguem estas palavras ao vento!
Primeiramente peço desculpas pela ausência de ontem...
É que um pensamento cansado das pernas não pode dizer o que quer.

Agora, sem sono e sede, teço algumas considerações sobre a Palestra "Formação de Recursos Humanos para a Saúde", ministrada na abertura do Pré-Congresso das Ligas Acadêmicas do Trauma, aqui onde estudo, na Unicamp.

Sem a presença de um Prof da casa (Prof. Brenelli, atarefado no Ministério da Saúde), a palestra foi ministrada pelo Prof. Lobo, um dos fundadores da UnB - Universidade de Brasília e idealizador da Faculdade de Ciências da Saúde desta mesma instituição.

Como gosto do tema "Educação Médica", fui ver as considerações do Prof. convidado sobre o tema.

Gosto bastante quando os palestrantes começam dando diretrizes conceituais sobre o que pensam e querem discorrer sobre. Como é interessante pensar que nós, da área da saúde, devemos prezar não simplesmente pela assistência (algo que, implicitamente, remete ao fato de o paciente se dirigir ao serviço de saúde). Um melhor meio de encarar o trabalho em saúde é vislumbrá-lo pela ótica da cobertura, ou seja, da responsabilização por um território e de todos os que nele "andam suas vidas".

Outro ponto importante. Deve-se trocar o ensino pela aprendizagem. Ou seja, o foco da aprendizagem é o estudante, numa posição ativa, de agente de seu próprio conhecimento, ao contrário do termo ensino, que de certa forma é centrado no docente, na transmissão do conhecimento.

Mas sem dúvida, dentre as várias considerações, a analogia dos cursos médicos dentre outros da área da saúde com a imagem de um avião em vôo cego foi bastante significativa. O que essas duas imagens tem em comum? Tanto o vôo cego quanto a maioria dos cursos de graduação em medicina não possuem objetivos claros, não se orientação por múltiplos sinais (nem os da terra, ou seja, do serviço, das demandas da população - nem os do céu, os estímulos e interesses subjetivos e culturais dos discentes e docentes).

Por fim, Prof. Lobo comentou sobre o erro em que recorrem as escolas médicas ao delimitar tempo ao invés de espectativas/desempenho de seus acadêmicos. Depender do tempo é contar com aptidões diversas e resultados diversos ao longo do tempo. Já contar com o desempenho, terá-se um parâmetro temporal variável, mas a qualificação terá objetivamente achados semelhantes.

Uma mudança no modo de ver, frente a "forma única", do tipo "one-way-fits-all".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Súmula do dia...

Mais uma segunda!
Dia cheio, mas não para as palavras...
Arrumei um espaço, entre a curva e o vento, para dar pouso às folhas da árvore da imaginação.
Tão verdes para o outono.
Fato não tão incomum aqui entre os trópicos.

Dos estudos diários,
Uma parte foi contemplada - leituras, releituras, artigos e escritos...
Outra ficou para um dia mais comprido.

Nunca é tarde para começar um novo livro.
Nunca é tarde para os escritos do ante-sono...

Segunda-feira

É segunda-feira.
Dizer que hoje foi um dia corrido, talvez não seja nenhuma novidade.
Também não é uma surpresa,
acordar com os jornais repletos de notícias tristes
e com os comentários dos gols do final de semana...

Definitivamente hoje é segunda,
Um primeiro dia com gosto de segundo lugar.

domingo, 18 de abril de 2010

Paulo Freire e Comunicação... As palavras com sentido!




























Trago um trecho que chamou a minha atenção sobre este grande brasileiro, que pessoalmente, não conheço muito, mas que tentarei, pela leitura de suas obras, conhecer sua grandiosidade na luta pela democracia do ser humano em todas as suas perspectivas.

O trecho diz:

" Freire recorre à raiz semântica da palavra comunicação e nela inclui a dimensão política da igualdade, a ausência de dominação.

Para ele, comunicação implica um diálogo entre sujeitos mediados pelo objeto de conhecimento que por sua vez decorre da experiência e do trabalho cotidiano.

Ao restringir a comunicação a uma relação entre sujeitos, necessariamente iguais, toda “relação de poder” fica excluída.

O próprio conhecimento gerado pelo diálogo comunicativo só será verdadeiro e autêntico quando comprometido com a justiça e a transformação social.

A comunicação passa a ser, portanto, por definição, dialógica, vale dizer, de “mão dupla”
, contemplando, ao mesmo tempo, o direito de ser informado e o direito à plena liberdade de expressão".

Só por estas palavras, já fiquei fã desse cara!
Com alguns de seus livros já sob o alcance de uns cliques, espero aprender muito com este Educador-mor e por em prática esta via de mão dupla, tanto disponibilizando este site para esta troca de palavras, como o meu cotidiano!

Neste tempo em que a comunicação está na mão dos Grandes, ter a noção do quanto o sentido esclarecedor de comunicação está no diálogo, longe da dominação, faz bem para que se rebelam contra o senso comum, a mesmisse, a rarefação das dúvidas e contestações...

Bom te conhecer, caro Freire, espero que não tão tarde assim!!!
Boa Noite,
Bambu!!!

Olha quem apareceu por aqui!!! Quanto tempo, hein???

Voltei com as palavras!
Pois é, quem é vivo sempre aparece...
Pena que não com a frequência que desejaria, ou precisaria...

No entanto, nesta nova tentativa de dar vida, escrita dinâmica, a este blog, espero ser mais bem sucessido, e não ser tomado por um rompante de palavras restritas a poucas semanas juntas...

Mais tarde volto com novas postagens concretas, com novas discussões e opiniões, sem falar dos pitacos com ou sem razão, desmedidos ou meticulosamente calculados, ou simplesmentes, alguns rompantes de alguém que não quer deixar as palavras passarem por si como o tempo, as contas, as incoerências...

Por enquanto é só!
Espero a frequente visita de seus olhos, o balanço de suas ideias e as palavras de bom grado, destinadas ao chapéu deste pobre encenador no mundo das escritas, a perambular pelos metrôs estáticos da rotina (ou na tentativa da fuga destas vias...)

Até já!
Vulgo Bambu  \,\!\infty