domingo, 26 de agosto de 2012

Por que a psicanálise?

Este é o título de um dos livro da psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, que estou lendo. Debrucei-me sobre sua primeira parte neste final de semana, intitulada "A sociedade depressiva". Neste capítulo a autora contextualiza a psicanálise entre as demais formas de se lidar com os sofrimentos psíquicos da humanidade, tais como a psiquiatria e a psicoterapia. Em seus parágrafos, a autora expõe diversas linhas de tensão que envolvem a psique humana, bem como os interesses que levaram e levam determinados tratamentos a serem considerados melhores ou piores, ou mesmo receberem o aval de serem considerados como "ciência".

Aponta a autora que, historicamente, a mudança das ferramentas frente ao portador de sofrimento mental, ou seja, das correntes, amarras e camisas de força, dos séculas XVIII e XIX, únicas ferramentas de contenção física aos loucos, passou-se a utilizar de forma corriqueira e quase imperceptível as chamadas "redomas medicamentosas", os psicofármacos como "contenções químicos" frente aos alienados. Questiona a autora toda o triunfo exagerado frente aos psicofármacos ao ligar a utilidade destas ferramentas como sintomáticos do sofrimento psíquico, não chegando, pois, às profundezas em que se alojam a significação desses sofrimentos. Argumenta, inclusive, que o uso exagerado dos psicofármacos conduz a transformação do ser humano em um ser alienado, pois cabe aos medicamentos o desejo de curar o ser humano da própria essência da sua condição humana, que per se é mutável, tensa e conflituosa.

A autora discute também o "imperialismo" contido na disseminação do uso dos psicofármacos, prescritos por médicos gerais e especialistas, por acreditar-se que tais medicamentos "simbolizem a vitória do pragmatismo e do materialismo sobre as enevoadas elucubrações psicológicas e filosóficas que tentavam deficinr o homem"

Com um senso perspicaz e atual, a autora liga esta empreitada da psicofarmacologia dentre as diversas outras ferramentas empregadas pelo Biopoder em nossa sociedade, na busca de um governo dos corpos e das mentes em nome de uma biologia totalizante, uma nova "religião", frente às verdades inquestionáveis de uma certa "ciência". Assim, ideias como a aposta na subversão social ou intelectual se tornam meras quimeras e vê-se triunfar o conformismo e o higienismo nas práticas políticas e sociais vigentes.


(Elisabeth Roudinesco - autora do livro "Por que a psicanálise?")


O método psicanalítico, a cura pela fala, a aposta na linguagem e na simbolização acabam por ser consideradas submissas ao silêncio da tomada de pílulas e cápsulas, que esconde em si a fonte da angústia e da vergonha que tanto flagela o corpo e a mente dos portadores de sofrimento psíquico. Assim, um dos propósitos da psicanálise, que não se pauta na cura, mas na transformação existencial do sujeito perde forças às promessas ilusórias da cura psicofarmacológica.

Junto a psicofarmacologia, as neurociências, o cognitivismo e a genética julgam-se portadoras de um novo discurso sobre a psique humana, travando uma guerra ideológica frente ao pensamento freudiano. Portanto, ao longo do século XIX em direção ao século XXI, a psiquiatria dinâmica e suas frentes explicativas (nosográfica, psicoterapêutica, filosófico-fenomenológica e cultural) perderam espaço às abordagens sistemáticas comportamentais (sejam elas da organicidade com sua universalidade simplista, sejam elas oriundas da diferença do culturalismo empírico) que irão vasculhar genes na procura de marcadores bioquímicos para quantificar nossos sofrimentos, neuroses e perversões. Privilegia-se uma certa fuga a subjetividade, à medida em que a lógica narcísica toma conta das relações sociais, de homens "possuídos por um sistema biopolítico que rege seu pensamento".

E finaliza a autora, com tom profundo e austero: "o moderno profissional de saúde - psicólogo, psiquiatra, enfermeiro, médico - já não tem tempo para se ocupar da longa duração do psiquismo, porque, na sociedade liberal, seu tempo é contado".

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Antes de Spinoza, Adélia

Voltando aos textos da Ethica de Spinoza, antes de aprofundar em mais conceitos de sua filosofia, trago a poesia de Adélia Prado para complementar minhas indagações e conjecturas frente a possibilidade de uma filosofia que nos impulsione a viver uma vida que valha a pena. Na imagem do canto de uma cigarra, em sua poesia "Módulo de verão", do livro Bagagem, Adélia ouve o canto da esperança, vejamos:

Módulo de verão

As cigarras começaram de novo, brutas e brutas.
Nem um pouco delicadas as cigarras são.
Esguicham atarrachadas nos troncos
o vidro moído de seus peitos, todo ele
- chamado canto - cinzento-seco, garra
de pêlo e arame, um aspero metal.
As cigarras têm  cabeça de noiva
as asas como véu, translúcidas.
As cigarras têm o que fazer,
têm olhos perdoáveis.
- Quem não quis junto deles uma agulha?
- Filhinho meu, vem comer,
ó meu amor, vem dormir.
Que noite tão clara e quente,
ó vida tão breve e boa!
A cigarra atrela as patas
é no meu coração.
O que ela fica gritando eu não entendo,
sei que é pura esperança.

E para Spinoza, o que viria a ser a esperança? Antes de chegar em seu conceito, Spinoza irá trabalhar uma importante característica dos afetos e suas interações com a mente e o corpo humanos. Quando o estado da mente humana provém de dois afetos contrários, o filósofo afirma que a mente terá um estado de flutuação dos afetos. A flutuação seria o mesmo que a dúvida representa para a imaginação.

Sabe-se que o corpo humano é composto de um grande número de indivíduos de natureza diferente, sendo, pois, afetado de muitas maneiras. Portanto, um só e mesmo objeto pode ser causa de muitos e conflitantes afetos, colaborando para a fluturação desses afetos

Quanto a temporalidade das imagens e suas implicações nos afetos, Spinoza é categórico: o estado do corpo, o seu afeto, é o mesmo, quer a imagem seja a de uma coisa passada ou de uma coisa futura, quer seja a de uma coisa presente. Contudo, reitera que os afetos resultantes das imagens do passado e do futuro são menos estáveis, estão perturbados por outras imagens. São imagens embassadas, diria eu, com choviscos, incompletudes, fragmentações.

Dito, Spinoza conceitua a esperança como sendo uma espécie de alegria instável oriunda da interação de imagens do passado ou do futuro. Quando esta alegria instável está imbuída de afetos que não flutuam, que não geram dúvidas, a esperança dá origem a segurança.

No seu oposto, a tristeza de caráter instável, ou seja, oriunda de imagens de coisas duvidosas, dará origem ao medo. Quando esta tristeza perde seu caráter instável, a tristeza certeira e inquestionável oriunda de imagens das coisas, dará origem ao desespero.

Será que o canto das cigarras refletiriam uma alegria instável aos ouvidos de Adélia? É possível que sim. Que os tons deste cantar intenso e marcante sejam capazes de nos transportar ao passado vivido ou ao futuro por vir, construído pelas imagens das coisas entre-núvens não me restam dúvidas.





domingo, 19 de agosto de 2012

Desafio

Se você me ama
vai na rua do padeiro
compra um doce
de goiaba cascão
e me traz junto
com um pedaço de queijo canastra?

Agora,
se me amar de fato,
esqueça o doce,
o queijo,
e o tato,
Tira-me dessa rua dos pesadelos,
e me adoça e salga a vida, misturadamente!

Confissão

Podia até querer
seus carinhos
como antes daquele baile
em que você derrubou três,
cantou a garçonete
e urinou na caixa de som.

Muito diferente era querer
a sua loucura,
bem equilibrada,
ao meu lado,
não o negro,
mas o esquerdo,
o que geme ao luar.

Não sabia dizer
o que era pior,
se a sua espera,
ou a sua presença desinteressada.

Tudo era contrário,
aos impulsos vagos,
que me rondavam
os sentimentos.

Era um tormento mudo,
como o grito das formigas,
ao carregarem o fardo alimento
O que o disfarce pedia era sorrir
como gema de ovo amarelo,
de vingança.


Regras

Para muitos,
não é mais certo
mentir para crianças,
roubar laranjas do vizinho,
pensar em música nos velórios,
chorar quanto está chovendo,
e se quer ir ao poço pescar...

Mas o errado que aceito,
é comprometer-se com as palavras,
e seus humanos desasossegos,
traço tênue,
em que risco meu caminhar.

Ninhos

Não consigo entender
porque os ninhos
são tão altos...
Quem sabe,
uma hipótese,
seja que os sonhos,
nos altos,
nasçam cedo,
com suas plumas para voar.

Plumas

Esses ciscos brancos
que voam
são sonhos encarnados em plumas?

São nada disso não
São só o nada
sem destino exato.

Cabelos brancos

Mãe, seus cabelos estão brancos?
Que isso menina
que enxirida!
E esses fios, esses do canto?
Menina,
que tormento!
Deixa meus sonhos cinzas
pratearem meu pranto.

Sopetão

Que dia é hoje?
O que importa
terá começo,
meio
e um aguardado sim

Hoje

Hoje,
dia em que 3 pessoas foram cruelmente assassinadas,
dia também
em que avisto um casal
correr em silêncio,
e um helicóptero segue rumo ao leste,
sem eu saber o motivo,
sento num banco rígido,
rasgo um papel,
alma com riscos azuis,
penso que profetizo,
em versos,
sem riso,
o que poesia é:
3 mexiricas com um sumo
que tinge os dedos
e a saudade da criancice da gente.

Grama

Para não parecer estúpido,
ou menos aristocrático,
escrevo em frases curtas,
o que os tratados tangenciam.

Quero uma cor
e vejo a grama.
Como é estúpido,
dirão os ascétas,
não procuras o verde?

Em risos, retruco,
esta cor
que me apetece,
tem mais força,
frente o fogo e o risco,
do sereno,
do lixo,
do homem,
que não pasta este verde?

Vento de agosto

Neste instante
em que só ouço
o vento contar seus lamúrios
penso que a vida,
entre folhas e mesas,
e as canetas coloridas,
que tingem de irregularidades
essas coisas rígidas
não servem para desatar os nós
que trancei com meus desejos.

No silêncio
penso no que não ouço,
sei que
o que escrevo
é só verso partido,
pão vencido,
presente quebrado,
dente de leite,
para telhados sem fadas.

E no papel branco,
tinjo de humanidade
esse silêncio que ecoa
entre os assoites do vento de agosto.

Dádiva

Se me fosse dada
a dádiva
a graça,
ou a maldição
de entender
seus sutis arrombos
como me foi garantida
a técnica de descarcar mexiricas
teria o seu suor
ao invés do sumo entre as unhas.

Não viveria só,
nas entre-safras,
não amargaria,
à espera,
das pequenas e doces,
temporãs.

Se fosse possível,
desvendar amores,
ao libertar
bagos de mexirica
das finas redes,
brancas e nupciais fibras,
não teria a sede,
que me seca os sonhos,
além deste cheiro cítrico
das lembranças
entre pomares de quereres...

Se não bastassem

Se não bastassem
duas palavras suas,
ou um pouco menos
para me levar,
intempestivamente,
dos becos aos berros
teria marchado,
como um sargento subalterno,
e dado ouvidos
ao meu auto-controle,
essas fibras
patifarias enoveladas
que me dão vulto e verso

Se não faltasse,
além da força,
o fato,
de ouvir
quaisquer mínimas duas palavras,
quase nada,
silêncio assassinado em pios,
não pestanejava
para erigir
castelos de entulhos
e me jogaria no chão
como as mexiricas
que de maduras,
racham e cheiram
longamente
a fragância do tempo
de estado finito de consumo
com seu ruído nas cascas,
resquícios da meândrica labuta,
de entranhas recortadas e amarelas,
pouco se é muito
para o que dos ciscos,
abrupto brote
sua cítrica lembrança.

Alguns Escritos sobre a Ethica de Spinoza - Parte I




Considerações sobre a terceira parte da Ethica de Spinoza – A origem e a natureza dos afetos

Retomo a leitura da Ethica de Spinoza após inúmeros contratempos. Não irei elucidá-los para não estender o dispêndio de tempo do qual já foram causadores. Contudo, é inevitável que no decorrer desta trama textual que ilustra meus desbravamentos pela filosofia de Spinoza, tais dispersões venham deixar marcas de suas repercussões.

Para me familiarizar com a filosofia contida na Ethica, optei por reforçar meu entendimentos dos diversos conceitos que foram semeados nesta obra. À medida em que estes conceitos forem tomando corpo como respondedores às inquietudes da vida cotidiana, procurarei argumentá-los e debaté-los com mais clareza e coesão.

Portanto, este texto será o primeiro de muitos que irão dialogar com os escritos de Spinoza numa tentativa de revisitá-los e utilizá-los para criar novos e outros conceitos, em consonânica com a visão deleuziana de filosofia, com o intuito de se buscar a concretude de uma vida digna de ser vivida. Assim, todos os esforços filosóficos, éticos, estéticos e políticos deste e de outros escritos buscarão responder uma única e inquietante pergunta: o que pode o corpo que vive?

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Para Spinoza o ser humano em suas experiências cotidianas, em seu “andar a vida”, pode agir ou pode padecer. Assim, um indivíduo que age, que se encontra em ação, está movido por ideias adequadas. Por outro lado, quem padece está repleto de ideias inadequadas, compreendidas como ideias mutiladas ou confusas.

A ideia adequada é assim considerada por estar em consonância com a ideia de Deus, que é a essência da mente que age, bem como a de todas as outras coisas. Contudo, a mente humana não é dicotômica. É composta portanto de ideias tanto adequadas quanto inadequadas. Assim, quantitativamente, a proporção de cada uma dessas ideias irá modular as repercussões que este homem trará com seus atos. Quando há um predomínio, em quantidade, das ideias adequadas frente as inadequadas, tem-se um indivíduo que age mais. Já a mente que pende a balança ao pólo das ideias inadequadas, será uma mente mais submetida ao padecimento, mais dependente das paixões. Agir ou padecer são efeitos das ideias.

Contudo, quando se discute as ideias e suas repercussões à mente, tende-se a crer que a filosofia de Spinoza irá dicotomizar o ser humano em dois grandes blocos monolíticos – o corpo e a mente. No entanto, Spinoza irá justamente pontuar o contrário: mente e corpo agem ou padecem simultaneamente em seus atos, não são separáveis como feijões e pedregulhos! De acordo com a concepção de análise de uma determinada faceta do ser humano, irá se tomar como mote ora o atributo do pensamento (que irá se debruçar ao entendimento da mente), ora o atributo da extensão (que se dedica ao entendimento do corpo). Pelo atributo do pensamento, entende-se que a mente tem como função pensar. Trata-se de um modo do pensamento, não da extensão do pensamento (derivada do corpo). Pelo atributo da extensão, o corpo é entendido por suas relações de movimento e de repouso, tanto internamente, quanto externamente (ou seja, as repercussões de outros corpos para o movimento ou repouso de um determinado corpo).

Munido desses conceitos, Spinoza rebate ingênuas visões sobre a relação mente e corpo, sobretudo a visão de um corpo “maquinal”, cujas ações e funções são totalmente dominadas e dependentes do controle da mente. Avançando nesta discussão, o filósofo também se interroga de maneira categórica sobre as possibilidades munidas no corpo. O que pode o corpo? O que os sonâmbulos ou os sonhadores, conhecidos da vida prática, podem nos ajudar a desvendar com relação ao emaranhado que une o corpo e a mente? Primeiramente, pode por em xeque nossas ideias simplistas de causa e efeito, por exemplo. Além disso, pode-se propor também que não exista uma relação de dominação entre a mente e o corpo (a primeira como controladora e subjulgadora da segunda), ao se entender que o corpo tem uma natureza que procede de infinitas coisas. Dessa ruptura da ideia de dominação, tem-se por conseguinte o esfacelamento de outros conceitos como o livre decisão da mente, por exemplo, que abordarem ao longo de outros textos.

Nesse contexto Spinoza arremata com clareza e prontidão: “(...) aqueles, portanto, que julgam que é pela livre decisão da mente que falam, calam ou fazem qualquer outra coisa, sonham de olhos abertos”.

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Recaptulando, Spinoza acredita que a mente apresente uma determinada essência, sendo esta entendida como um conjunto de ideias (que podem ser adequadas ou inadequadas, ou uma mistura de ambas) de um corpo existente em ato, que o compõe como uma coisa singular, ou seja, modos pelos quais os atributos de Deus exprimem-se de uma maneira definida e determinada, capaz de expressar uma potência de Deus, de duração indefinida (pois seu fim não está contido na essencia de si, mas na interação com outra ou outras coisas singulares de natureza contrária que visem destruí-la), visto que as coisas singulares se esforçam para perseverar em seu ser, em sua existência. Uma enxurrada de conceitos que merecerão melhor explanação neste e nos demais textos.

Assim, tem-se que a paixão fragmenta a mente, que não consegue ser entendida sem ser correlacionada com as demais partes que a compõem.

Com relação ao esforço de perseverar em si, que se relaciona com a potência que as coisas singulares exprimem, retomo o detalhamento, nas palavras de Spinoza: “a potência de uma coisa qualquer, ou seja, o esforço pelo qual, quer sozinha, quer em conjunto com outras, ela age ou se esforça por agir, isto é, a potência ou o esforço pelo qual ela se esforça por perseverar em seu ser, nada mais é do que sua essencia dada ou atual de uma coisa.

Em síntese, Deus com seus atributos permite a existência de uma coisa singular (A) que exprime sua essência atual por intermédio de sua potência, isto é, pelo esforço de perseverar em si, seja ao agir ou ao padecer, por um tempo indefinido, que será determinado pelas relações que esta coisa singular (A) irá ter com uma coisa singular (B) de natureza contrária que irá, por intermédio de uma causa externa, destruir a coisa singular (A). Este esforço que compreende a potência é consciente, devido às ideias das afecções do corpo que o constituem.

Aprofundando a ideia do esforço, Spinoza conceitualiza a vontade quando a mente conduz ao esforço. Já o esforço conduzido tanto pelo corpo quanto pela mente é conceitualmente chamado de apetite. E para Spinoza, apetite e desejo são conceitos similares e intercambiáveis, a não ser por um adendo: o desejo trata-se de um apetite consciente. Assim, o apetite estará intimamente ligado à essência do homem cuja natureza persegue a sua conservação.

Pelas palavras do filósofo, repasso um trecho espantoso, cuja intensidade me fez retomar nesta travessia pelo sertão da Ethica: “O desejo é o apetite juntamente com a consciência que dele se tem. Torna-se, assim, evidente, por tudo isso, que não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos, mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa”.