Iniciarei com este texto, fomentado após a leitura de um dos textos editoriais da Folha de São Paulo do dia de hoje, minha tragetória argumentativa frente as investidas do CREMESP em tangenciar de maneira arbitrária e despótica a temática da educação médica no estado de São Paulo.
É isso. Por enquanto...
Adelante...
Prezada Folha
Muito me angustia ver a questão da Educação Médica ser tratada de forma reducionista e maniqueísta como vejo reiteradas vezes pela mídia impressa e televisiva deste país. Tratada de forma paliativa, portanto, tendo no Exame do CREMESP a transfiguração da panacéia para a erradicação da má-formação de médicos no estado.
Como estudante do último ano do curso médico de uma universidade respeitada deste país venho me posicionar contra a última descoberta miraculosa das últimas semanas: uma prova pontual, reducionista e punitiva como ferramenta para a melhoria da Educação Médica deste estado brasileiro que se julga de vanguarda na esfera de discussões profundas e engajadas.
Como acadêmico do curso médico sou favorável à avaliações como parte integrante do processo ensino-aprendizagem. Não vejo em uma prova única que, históricamente, tem uma baixa adesão e recebeu boicotes constantes de instituições que observam a profundidade deste tema, como um sinalizador de que apostar em uma prova finalista e potencialmente ranqueadora não é uma opção que irá, além de um diagnóstico sugestivo, implementar práticas de melhoria substancial à Educação Médica e a assistência à população.
Discordo do exposto em "Paliativo Médico", no quesito que indica que se pode basear em dados referentes a apenas 15% dos egressos extrapolações exageradas a cerca dos déficits educacionais na área médica. Não nego a existência de deficiências, que são mais ou menos profundas em cada instituição de ensino. Mas o que dizer dos médicos nos rincões deste país que não participam de processos de educação continuada e capacitação deste pais?
Contudo não é numa prova deglutida às pressas, à surdina da participação discente, magicamente e unanimamente tida como ferramenta de caráter obrigatório que, ao meu ver, hipermétrope talvez, se deva acreditar que se problematizará a questão. Vejo nesta obrigatoriedade uma vontade afoita e sedenta por dados em busca de extrapolações que balizarão num destino não tão afastado a imposição obrigatória de um exame de certificação obrigatório, e por conseguinte, de mais um filão do mercado - um novo método de ensino preparatório para exames específicos, vulgo os "aclamados cursinhos''.
Concluo dizendo que a discussão sobre a Educação Médica deve sair dos muros universitários, mas de maneira crítica e menos sensacionalista. A opinião da população sobre o "médico que desejamos formar" é essencial. Mas este ambiente de debate não é encistado num solo repressivo, punitivo como de uma prova de múltipla escolha. Recuso-me a crer em avanços sérios na discussão de uma Educação Médica socialmente referenciada alicerçada na fragilidade de 4 ou 5 opções a serem assinaladas, pouco representativas de um montante de 6 anos mínimos de estudo, constituído por atividades essencialmente prático-teóricas em caráter integral!
Não vejo meias soluções para problemas complexos. Avaliações continuadas, provas práticas, entrevistas com usuários do SUS atendidos em hospitais escolas, avaliação entre pares, avaliações externas (desde que envolvidas em profundidade e com propósitos claros frente aos resultados obtidos) são bem-vindas à saúde da Educação Médica.
Pois, do contrário, não teremos um paliativo médico, mas o suicidio, "a doença da morte" des iniciativas que realmente dedicam à Educação (não só médica) um status de emancipação cidadã desses futuros profissionais. Do contrário, a posologia insossa e torpe do corporativismo falará mais alto.
Fabrício Donizete da Costa (Bambu)
Acadêmico do ultimo ano do curso médico pela Universidade Estadual de Campinas
Ex-Coordenador Discente da Regional São Paulo da Associação Brasileira de Educação Médica
Blog pessoal redigido por Bambu. Um ambiente para exposição de textos, anseios, inquietudes do autor e de seus comparsas! Bem-vindos aos Pitacos Baratos! Uma casa grande, em que palpiteiros discutem um pouco de tudo,inclusive coisa séria!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Insignificânciazinhas
Insignificânciazinhas

Enquanto,
no duelo das eras
uns discutem cores
ora de gravatas,
ora de bravatas,
ou mesmo,
embrenham-se
na mata exótica
de arguir
aos hipócritas
se o branco que lhes cabem
é mais alvo
que de uns dispares de si,
eu prefiro
no meu canto,
em meus giros,
ficar com minhas
insignificânciazinhas
são tão torpes,
embora doces,
e dispensavelmente minhas
que as reconheço
pelo olfato da mesmice.
Mas se um dia,
tão inesperadamente vago,
tão impensavelmente palco
na luz de insultos e lágrimas
resolver,
revolver-me
num movimento,
num querer pós-ictal,
uma vontade
de alicate e estouros
romper e sair deste estado menoritário
arremato sem estas
poucas,
mas pesadas
insignificânciazinhas
e não mais confio em bordados,
tons ou achados
passo a dar partido
aos bandos
bandidos
barbáreos
que me roubam da prisioneira,
fatídica e verdadeira,
ribanceira de mim
entoando coros
ouço o eco
à gauche
o alarde
sem serafim.

Enquanto,
no duelo das eras
uns discutem cores
ora de gravatas,
ora de bravatas,
ou mesmo,
embrenham-se
na mata exótica
de arguir
aos hipócritas
se o branco que lhes cabem
é mais alvo
que de uns dispares de si,
eu prefiro
no meu canto,
em meus giros,
ficar com minhas
insignificânciazinhas
são tão torpes,
embora doces,
e dispensavelmente minhas
que as reconheço
pelo olfato da mesmice.
Mas se um dia,
tão inesperadamente vago,
tão impensavelmente palco
na luz de insultos e lágrimas
resolver,
revolver-me
num movimento,
num querer pós-ictal,
uma vontade
de alicate e estouros
romper e sair deste estado menoritárioarremato sem estas
poucas,
mas pesadas
insignificânciazinhas
e não mais confio em bordados,
tons ou achados
passo a dar partido
aos bandos
bandidos
barbáreos
que me roubam da prisioneira,
fatídica e verdadeira,
ribanceira de mim
entoando coros
ouço o eco
à gauche
o alarde
sem serafim.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Ruidos
Motivado por Beckett
"O que resulta claramente dos ruídos que chegam até mim é que não sou totalmente surdo"
"O que resulta claramente dos ruídos que chegam até mim é que não sou totalmente surdo"
Ruídos.
O que posso dizer, sinteticamente, das pequenas perturbações que me tiram dos eixos do comodismo, da "conduta mantida" tão corriqueiramente caligrafada nos prontuários da lida! Uns acúfenos de inquietação, de indignação, de espanto pelas potências do humano fazem-se necessários. Nos mais singelos e inesperados encontros, ouvir o badalar dessas diferenças. Frente aos ruídos, recusar os fones, a música da ambiência frajuta, da monotonia dos protocolos, das frases prontas, dos timbres sedutores da individualidade. Que eu continue, surdamente disposto, a ouvir estes zumbidos, que me tiram de minha constância rumo a vertiginosa roleta do improviso do eu. Ponto de gritantes interrogações na sonora travessia dos altos e baixios tons do passear pela vida. Sem "tato" na língua, sem cera nos ouvidos! Ouço vozes, em coro unísono, que me dizem: "carece de se ter coragem..."
Sigo cego e surdo, com meus barulhos.
_________
terça-feira, 3 de julho de 2012
Carta a Otto ou Um coração em Agosto
Este é o título de um novo livro da obra do escritor mineiro Paulo Mendes Campos que será lançada na Flip (Festival Literário Internacional de Paraty - RJ). Soube desse fato na Folha de hoje! Como de praxe, a "exclusividade" da Folha nos possibilida o brinde de uma leitura de um trecho dessa nova obra em vias de ser publicada.
Eis o trecho, de uma literatura cativante, com suas palavras escolhidas a dedo pelas trêmulos e inquietantes mãos do escritor da Geraes, divulgadas pela Editora do Instituto Moreira Salles (ims.uol.com.br):
"Possuo o passaporte do infinito:
uma rosa, um canto, uma pintura,
tanto faz: inaugurar o mundo.
E tudo é abismo, e tudo é tarde
e sobre tudo cai a cinza dos poemas.
Mas a solidão tem sentido.
Sabes
que na lucidez da madrugada,
um amigo te entende e outro te chama,
e um quer te ajudar,
e o outro te convida para jornada
e quer mostrar-te a pedreira de mil faces,
e todos querem saber de ti, da tua bruma,
das visões inenarráveis do melancólico"
Eis o trecho, de uma literatura cativante, com suas palavras escolhidas a dedo pelas trêmulos e inquietantes mãos do escritor da Geraes, divulgadas pela Editora do Instituto Moreira Salles (ims.uol.com.br):
"Possuo o passaporte do infinito:uma rosa, um canto, uma pintura,
tanto faz: inaugurar o mundo.
E tudo é abismo, e tudo é tarde
e sobre tudo cai a cinza dos poemas.
Mas a solidão tem sentido.
Sabes
que na lucidez da madrugada,
um amigo te entende e outro te chama,
e um quer te ajudar,
e o outro te convida para jornada
e quer mostrar-te a pedreira de mil faces,
e todos querem saber de ti, da tua bruma,
das visões inenarráveis do melancólico"
Trecho de "Poema a Otto Lara Resende" ou "Vinte e Três Agostos no Coração", do escritor e jornalista Paulo Mendes Campos. Na foto acima, Paulo é o último, diametralmente oposto a Drummond, ambos circunscrevendo, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira e Mário Quintana.
***
E com um pouco de poesia,
caminho meu dia!
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