Na mesa,
espero um doce,
que de frio,
em caramelos,
refresque o pensamento,
adoce o esquecimento,
e mande meu aguardo
pelo não pedido,
ou o pela vida, perdido,
quieto, na goela do devir.
Blog pessoal redigido por Bambu. Um ambiente para exposição de textos, anseios, inquietudes do autor e de seus comparsas! Bem-vindos aos Pitacos Baratos! Uma casa grande, em que palpiteiros discutem um pouco de tudo,inclusive coisa séria!
domingo, 14 de agosto de 2011
Chão
Hoje,
as pessoas só andam de carro.
Será que se esqueceram,
de que o pisar no chão,
além de realidade,
tinge os pés,
de conforto vão
e veste os pés
com solados de carne e barros.
as pessoas só andam de carro.
Será que se esqueceram,
de que o pisar no chão,
além de realidade,
tinge os pés,
de conforto vão
e veste os pés
com solados de carne e barros.
Entardecer
Quando as árvores se destacam,
entre seus galhos,
e as núvens mais embassadas ficam,
é o anúncio que mais um dia míngua.
Vou me por-no-sem sol do dia,
entre as barreiras, portas, cortinas, teias.
Vejo o sol, de uma fresta,
vejo que a vida é apenas esta,
e o possível, o que desponta.
No entardecer,
o viver paree mais fino,
tal como a despedida das vagas lembranças de criança.
Entardecer,
mas o viver,
em meu por do sol sem fim,
apague, no poente, meus medos dos escuros.
entre seus galhos,
e as núvens mais embassadas ficam,
é o anúncio que mais um dia míngua.
Vou me por-no-sem sol do dia,
entre as barreiras, portas, cortinas, teias.
Vejo o sol, de uma fresta,
vejo que a vida é apenas esta,
e o possível, o que desponta.
No entardecer,
o viver paree mais fino,
tal como a despedida das vagas lembranças de criança.
Entardecer,
mas o viver,
em meu por do sol sem fim,
apague, no poente, meus medos dos escuros.
Cala-te
Cala-te,
Ser dos controles,
este fio é meu,
a vida de meu andar,
seus saltos e sons não regulam.
Cala-te, fria sombra,
os músculos tensos vibram por meus quereres,
sua voz,
sem poderes,
da profunda surdez de mim.
Cala-te, faca desmontável,
seu pulso não oscila dos meus tremores,
tenho muitos amores,
que não vascilam como os seus.
Apenas, cala-te, mais uma vez,
e me deixa,
perder minha insensatez
fugindo de sua lúcida solidez.
Ser dos controles,
este fio é meu,
a vida de meu andar,
seus saltos e sons não regulam.
Cala-te, fria sombra,
os músculos tensos vibram por meus quereres,
sua voz,
sem poderes,
da profunda surdez de mim.
Cala-te, faca desmontável,
seu pulso não oscila dos meus tremores,
tenho muitos amores,
que não vascilam como os seus.
Apenas, cala-te, mais uma vez,
e me deixa,
perder minha insensatez
fugindo de sua lúcida solidez.
Proust
O sujeito é pouco.
Sou teia na mosca,
a forma sem moldes.
O abraço do vento
é a essência que balbuci,
quando me calo,
e minha mão
fala impropérios,
num mundo dos impossíveis.
Nesse momento,
o que mais queria:
muito papel,
pouca folia,
para incendiar o externo
do fogo que me domina
quando flambo o papel,
com versos tremeluzentes.
Sou teia na mosca,
a forma sem moldes.
O abraço do vento
é a essência que balbuci,
quando me calo,
e minha mão
fala impropérios,
num mundo dos impossíveis.
Nesse momento,
o que mais queria:
muito papel,
pouca folia,
para incendiar o externo
do fogo que me domina
quando flambo o papel,
com versos tremeluzentes.
O papel aceita tudo
O papel aceita tudo
Recebe minhas palavras,
como parentes distantes.
O papel dá espaço,
indica um plano de apoio,
e continua, branco de mudo,
com suas beiradas estreitas,
a falta de linhas...
Se de dentro é que vem o mote,
é de fora que se tem o desnorte.
A palavra e o corte.
Ambos sangram,
a primeira, com cicatrizes.
Recebe minhas palavras,
como parentes distantes.
O papel dá espaço,
indica um plano de apoio,
e continua, branco de mudo,
com suas beiradas estreitas,
a falta de linhas...
Se de dentro é que vem o mote,
é de fora que se tem o desnorte.
A palavra e o corte.
Ambos sangram,
a primeira, com cicatrizes.
Desencontro
Na caminhada
Em frente um casal
Falam palavras lentamente pronunciadas,
Dando suspiros,
pontuando as orações.
É uma cena esdrúxula,
que termina, como no cinema americano,
resolvida com as boas doses de saliva.
Em frente um casal
Falam palavras lentamente pronunciadas,
Dando suspiros,
pontuando as orações.
É uma cena esdrúxula,
que termina, como no cinema americano,
resolvida com as boas doses de saliva.
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