quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Uma reflexão rápida antes que esta hemolise...


Uma reflexão rápida antes que esta hemolise...

Rapidamente exponho algumas inquietações...

Como a vida anda "molecularizada"!
Como podem haver pessoas que acham as hemácias mais complexas do que os que as portam?
Elas nem tem núcleo!! (afinal, onde está o nosso nos últimos tempos...)
Fico intrigado como grandes conhecedores das interações moleculares, nos mais minuciosos detalhamentos, podem discutir questões humanas, políticas e sociais com tantos reducionismos...
Por que não podem ver a realidade, que de tão macro e latente, nem carece de lentes sobre-humanas?
Seria uma incoerência? Não creio.
Talvez uma distorção das perspectivas...
De tanto se navegar no mundo micro, das entranhas da vida, acaba-se por se relativizar ou mesmo creditar a diversa e complexa expressão desta "vida" as famigeradas e inconclusivas relações causa-efeito...

Num momento mais oportuno (sem tanto sono, cansaço, tipos de anemia e desejos outros tão misturados numa mesma cabeça) volto a este ponto.
Sem transfusões de reducionismos, espero eu.
Dispnéio e astênico termino,
num espirro,

Bambu

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

HEMOCULTURA (I)

HEMOCULTURA (I)

Qual é a sua anemia?
Por qual motivo,
globínico ou férrico,
suas hemácias são parcas?

Os meus gritos de Hydrea
acalmam ou apavoram seus ouvidos poliglobulínicos?

Tens tanta vida,
de tal sorte hiperviscosa,
de outras transfusões adictos...

Não me venha com diagnósticos,
com sua ignorância tão macrocítica,
arme-se de anticorpos,
seja cúmplice
dessas foices que,
não sendo sanguíneas,
são palavras tão anisocíticas.

Meus linfonodos supuram por sua empáfia,
sempre hemoderivada.
Meu baço toca o outro hemicorpo,
enquanto suas agulhas,
vasculham,
neutrófilos, plaquetas, blastos...

Que as hemácias kamikazes,
me tirem desse cor anemico
num suspiro, breve,
totipotência do inusitado.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

TROMBOSE

TROMBOSE

Sim, já fui fino
malha de fios insensíveis
Hoje sou rede,
que sufoca num abraço
células, restos, paredes.
Sou trombo.

E no meu formar-se
do amorfo à massa,
expansão e opressão,
entre pulsantes paredes,
caminho na circulação,
em pedaços de perigo,
parando nos cantos,
criando abismos,
sufocando caminhos,
no sem destino das ondas vermelhas.

Como pude perder meus princípios,
de amino-ácidas carícias,
tornar-me este veneno sutil,
que nubla as sensações,
mesmo em fragmentos
de um eu-hiperviscosidades

Não venha querer me raliar
com suas contas mágicas,
diluindo-me.
Já aconteci,
o estrago está feito,
o que resta,
suspeito,
é meu retorno,
seja breve,
seja longo,
a interromper sua enfadonha
sangria de fluir.







domingo, 22 de janeiro de 2012

Dobra

Sou dobra
Papel flexível
Moldável,
Almodável
Que na celulose pautada
Despista os riscos
Os corre, em picos
Os preenche, em escritos

Sem dobras,
sou tão capítulo
começo, meio, interdito
sem intermezzo, aflito...
tão facilmente lido,
como as receitas de pré-cozidos!

Ser dobra,
é um veredito
dos juízes malditos
culpado pelo fardo
da vida em rabiscos

Dobrar-se
e manter a compostura
do desvio torto
do grito solto
da carícia vulgar
entre as sombras mudas
de um au revoir

Ler significa executar...

É com esta asseveração categórica de Pareyson que retomo meus escritos neste blog.
Espaço considerado como linha de fuga, ponto cibernético de desconstrução.
Ponto cartográfico, impreciso e nebuloso, que se descontroi na tentativa da escrita, do argumento, do respiro.

Enfim, deixai as palavras falarem!
Seja por impulso, sede ou tormento.
Que elas tenham corpo de pedra, palha ou vento.
Apenas sentimentos.