sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ipês que abraçam o céu...rumo a Cachoeira do Nego

As pedras traçam o caminho.
A poeira deixa os rastros.
Na estrada,
apenas a grama seca,
a rasteira entre os cascalhos.
Flores são poucas,
tímidas,
entre pedregulhos.
As cores são fortes:
deixam os olhos
estranhados,
pelo costume do gris pétreo.
O caminho são subidas,
os morros da resistência.
Árvores são poucas,
esparças,
assim como as sombras,
no gradio beirando a estrada de chão
A cantoria dos pés,
no repique ôco da poeira,
no timbre grosso do cascalho,
é o alarde dos pássaros,
é o silêncio do suor.
Cachoeiras apontam entre serras,
cortam as pedras,
na dança dos desvios.
Os ipês
amarelos
abrem os galhos
com seus cachos dourados,
um abraço da solidão
na curva do vento.

Uma trilha, mais do que exercício físico, é exercício poético!
O Cerrado, traça um verso em cada canto de seus capões e morros.
Estes versos me surgiram quando rememoro a trilha rumo a Cachoeira do Nego, uma das várias cachoeiras que se situam no entorno de minha terrinha, São Roque de Minas.

domingo, 26 de julho de 2009

Nos Bailes da Vida, do Bituca!


Olá
Descobri nessas férias que sou fãnzásso do Milton.

A canção "Nos Bailes da Vida", segue abaixo. Letra marcante, na voz de um grande interprete: só pode ser um bálsamo aos que da música carem!

Foi nos bailes da vida ou num bar

Em troca de pão

Que muita gente boa pôs o pé na profissão

De tocar um instrumento e de cantar

Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim



Cantar era buscar o caminho

Que vai dar no sol

Tenho comigo as lembranças do que eu era

Para cantar nada era longe, tudo tão bom

Pé a estrada de terra na boléia de um caminhão

Era assim


Com a roupa encharcada e a alma

Repleta de chão

Todo artista tem de ir aonde o povo está

Se foi assim, assim será

Cantando me desfaço e não me canso

De viver, nem de cantar

Poço das Orquídeas - São Roque de Minas -MG


Olá
Minha auto-biografia (o começo)
Como muitos já sabem sou

MINEIRO
NASCIDO EM ...
SÃO ROQUE DE MINAS
CIDADE QUE ABRIGA O ...
PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CANASTRA
EM QUE SE LOCALIZA A ...
NASCENTE DO RIO SÃO FRANCISCO
E SUA PRIMEIRA QUEDA D'ÁGUA, A ...
CACHOEIRA CASCA D'ANTA

Em minhas andanças pela natureza que cerca a minha pacata cidade fui visitar essa semana o Poço das Orquídeas, um atrativo natural à 6 km de São Roque de Minas. Uma caminhada em vários terrenos que vale a pena.

Espero que se sintam motivados a conhecer este pedaçinho pouco modificado pelo bixo homem!

Bambu

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Literatura Festival de Inverno 2009

Caros leitores, compartilho com vocês dois poemas de minha autoria que foram selecionados pela banca literária examinadora do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Fórum das Artes 2009. Espero que gostem!
À delante,
Fabrício D. da Costa, ou Bambu (verde de alegria e magricela como sempre!)

Travessia


É no chão

que se enraízam os sonhos,

É da terra

que se colhem as ilusões.

Andei entre as serras,

encontrei, entre os morros,

a poeira de uma vida em silêncio.

A terra e suas lições,

dos mil grãos:

ser poeira nas horas de provação.

Ser argila,

quando a forma se exige,

e dar corpo às mãos do artesão.

É do chão que colho as canções.

Dos sons, dos escuros,

das danças e tramas das raízes.

Da terra nasci,

e do chão serei parte,

um dia, no cair da tarde,

meu corpo arde e as montanhas adormecem.

Pássaros dão ouvidos às violas.

Terei da terra o calor,

e do chão as inscrições de uma travessia,

como as linhas de minhas mãos,

os trilhos de um trem sem maquinista.


...

Terra de ninguém


O coração da gente

É que nem uma terra de ninguém

Terra que não tem dono

Terreno baldio

Em que capins vistosos

Crescem entre os cantos

De formigas lavapés

E grilos encardidos

Terra de ninguém

Até que um dono aparece

E toma posse

E quer da terra

Todos os frutos

A terra é toda rachaduras

A chuva vem às montas

Solapa o chão,

E carrega o caldo da vida

A cerca faz da terra uma gaiola

O chão passa a ser

Alqueires de quereres

Os bois pastam a grama

O tempo pasta as paixões

As pedras e os cupinzeiros

Apontam para a fuga

O dono do chão

Não manda no coração


"Vô, arruma um trampo pro meu namorado"

AVISO: Esse texto é ficção pura. Qualquer semelhança com a realidade é mera casualidade, ou para os mais cabreiros, intriga da oposição.

- Vô, o Sr. pode arrumar um trampo pro meu namorado?
- Como assim, minha netinha, seu namorado quer trabalhar?
- Querer é uma palavra muito forte né vô, acho que ele quer é receber um salário.
- Pois acho que para isso, talvez, uma vaga num gabinete de um companheiro nosso seja possível um "encaixe". Sabe como é, temos uma vaga de emprego "à-ver", coisas da eleição passada... Sabe, menina, coisas da política. Não se avexe, que o vovô dá um jeito...

P.S: Se as corujisse das vovós é que estragam os netos, as benevolências dos avôs podem fazer estragos um pouco maiores, talvez "em escalas legislativosféricas"...

A Morte Inventada

Deixo aqui uma dica de filme-documentário, sobre direção de Alan Minas, sobre um tema pouco debatido, mas muito corriqueiro, a alienação pariental. Alienação parental é definida como o afastamento do filho de um dos genitores, provocado pelo outro, mais comumente, pelo titular da custódia. A experiência desta alienação parental pela criança conduz a síndrome da alienação parental, que são as sequelas emocionais e comportamentais de que vem a padecer a criança vítima dessa vivência. Muitos são so motivos que levam a uma postura alienante de um dos progenitores em busca da construção, aos olhos do filho, da imagem alienada do outro genitor, o progenitor alienado. O pior de tudo é que no meio deste jogo mesquinho, os filhos sofrem silenciosamente e perdem a oportunidade de se desenvolverem em um ambiente familiar minimamente estruturado.



No site www.amorteinventada.com.br existem mais informações sobre o tema, além de muitos depoimentos e vivências desta prática. A Morte Inventada trata com seriedade sobre a postura deturpada de muitos pais que visam "matar em vida" a imagem do outro progenitor na percepção e no desenvolvimento da criança. Um filme instigante para aqueles que se interessam em refletir sobre as repercussões das escolhas, que afetam não só nossas vidas próprias, mas também uma espécie de "macro-eu" que nos cerca!

Se você, leitor, já tenha experimentado tal vivência ou assistido ao documentário, seus pitacos são de muito apresso!
Saudações,
Bambu!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Confiança e desconfiança


Escrevo estas linhas mobilizado pelo artigo "Políticos e jornalistas: paradoxos brasileiros" do pesquisador Venício Lima, colunista de Carta Maior, que versa sobre uma pesquisa, de caráter anual na Europa e nos EUA, do GfK, intitulada “GfK Trust Index 2009”, sobre a confiabilidade da população frente a alguns profissionais e organizações. A tabela demonstra alguns dos achados da pesquisa.


A tabela ilustra, em ordem decrescente de confiabilidade, as seguintes profissões: os primeiros são os bombeiros, e os últimos, os políticos.


Dados com relação a confiabilidade dos brasileiros, embora não disponível no Press Release, foram divulgados pelo Jornal Hoje e sumarizam os seguintes achados:


Profissões mais confiáveis
BRASIL
Bombeiros - 95%
Carteiros - 90%
Médicos - 82%
Professores - 81%
Jornalistas - 79%

Profissões menos confiáveis
BRASIL
Político - 16%
Executivo de banco - 38%
Policiais - 48%
Sindicatos - 49%
Funcionalismo público - 53%

Segundo o autor do artigo, não nos é novidade o baixo grau de confiança inspirado pelos políticos, fato vislumbrado na pesquisa e chamariz da imprensa. Porém, mesmo merecendo a confiança de menos de 50% da população, os índices brasileiros ainda são altos se comparados ao de outros países participantes da pesquisa.

Este artigo instigante termina com as seguintes perguntas construídas pelo articulador. Tento responder algumas das questões logo na frente! Se você, leitor, quiser dar a sua opinião, também as responda nos comentários destinados a esta postagem.

Qual seria a parcela de responsabilidade da própria mídia na construção de imagem de tal forma negativa dos políticos? Como parcela dos nossos políticos anda “se lixando” com a opinião pública, acho que a mídia per se anda tendo pouco trabalho em denegrir uma imagem já desgastada por atitudes “alto-destrutivas”. Mas, como se sabe, a influência tendenciosa de muitos veículos midiáticos é de fato “venenante” em alguns casos, e contribui para generalizações que ignoram os políticos compromissados com os interesses da população.

Quais as conseqüências dessa imagem para o descrédito do processo democrático? Boa pergunta! Contribui de maneira monstruosa para que o sentimento de descrença com a democracia seja reinante... Daí, não se torna raro a declamação de frases como "Político é tudo igual", "Muda ano e sai ano, tudo fica a mesma coisa", "Todo políticio rouba mesmo" e coisas do tipo...

Finalizando, o colunista provoca:

“Já com relação aos jornalistas ocuparem o 5º lugar entre as profissões mais confiáveis no Brasil, colocando-se abaixo apenas dos bombeiros, carteiros, médicos e professores, o mistério permanece: O que diferenciaria o jornalista brasileiro do jornalista da Europa e dos EUA que o tornaria tão mais confiável?”Na pesquisa com o público europeu e norte-americano, os jornalistas figuram no sexto lugar dos menos confiáveis. Será que nós, brasileiros, confiamos demais nos jornalistas? Será que analizamos e refletimos pouco sobre o que lemos? Somos menos observadores das maldades da impreensa? Isso dá linha pra muito texto...

Dor Inconsciente

Em mais uma de minhas incursões no mundo da psicanálise, em minhas leituras de "O livro da dor e do amor" de J. D. Nasio, resolvi tecer alguns comentários sobre a dor dita inconsciente.

Confesso que o texto psicanalítico não é fácil em compreensão. Daí , pensei em escrever em algumas linhas o que pude compreender do material que li. Talvez o fruto desta análise seja diverso do intuito do autor, pois meu conhecimento nesta seara é ainda bastante limitado. Tentarei repousar as minhas idéias em linhas. Vejamos as considerações:


O autor descreve a dor inconsciente como "um circuito impresso por uma dor sentida, reativado por uma excitação ocasional e manifestado enfim por uma outra dor sentida".

Esse circuito fechado é composto pelas seguintes estruturas:


D1 --> R--> D2, onde:


D1: dor da comoção, dor muito intensa.

R: ativação do rastro inconsciente.

D2: nova dor, dor de hoje ou distúrbio da vida cotidiana.


Assim, uma pessoa que tenha uma dor após ser submetida a uma situação estressante que de alguma forma consiga tocar, por mais tenuamente que seja, na memória de uma dor anteriormente sofrida, cuja memória fotográfica, mnêmica, reside no seu inconsciente, pode então ter a dor de hoje classificada como dor inconsciente.


"É o conjunto desse circuito reativável, subtraído à nossa consciência, que se chama dor inconsciente".


A dor inconsciente seria fruto de "um encadeamento desconhecido de acontecimentos, que resulta na dor que eu vivo hoje". O componente "desconhecido" nesta asseveração é muito interessante. A dor corporal de hoje, que sinto e consigo definir com riqueza de detalhes, é uma companheira sem "origens conhecidas". A pessoa que a sente não consegue, a priori, construir nexos causas para a origem da sensação dolorosa em si.


Daí se observa que "a dor inconsciente só existe depois do aparecimento da dor de hoje e só se poderia deduzir a existência da dor inconsciente retroativamente, a partir dos primeiros balbucios da minha dor atual". Ou seja, a confirmação de uma dor inconsciente se faz de maneira inversa. Usando-se do diagrama, partimos de D2 e seguimos rumo a D1. Isso nos indica que a dor inconsciente antes de tudo deve ser uma presença do hoje, não um rememoramento puro e simples e aflições passadas.


O autor se pergunta: "O que é essa volta ao passado, senão o gesto de quem escuta o enigma da dor?" Na busca de mais compreensão da dor, a escuta se faz necessária. A dor para ser entendida, ter sua origem compreendida e interpretada, deve portanto, ser submetida a uma análise. Interrogo-me se este conhecimento é de domínio público.

Falamos de nossas dores? Escutamos a dor de quem nos cerca? Ou apenas a silenciamos?