quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Caminhada

Caminhada

Nas tardes de sol
seus presos passos
caminham.
Marcham,
homens, mulheres e crianças,
ao redor da lagoa.
Andam em busca
do inominável
para uns as gotas de suor
para outros a limpeza dos pulmões
para outros, a mínima tinta
de poeira nos calçados.
Cada um corre atrás
do que lhe apetece
Seja com ou sem tenis.
Seja frio ou quente,
com espinho ou desossado.
Corre a passos pingados,
por sentimentos,
alegrias e desejos.
E os passos de fasto,
quando o terreno é de tristezas.
Corre meus pés,
existindo entre poeira e tropeços.

Comparação

Comparação

As árvores
no baixio do córrego,
são tão magras,
mas verdes.
Meus olhos,
às margens,
tão úmidos e arregalados,
veem profundidades,
afogadas nas cinzas da repetição.

Amigos somos

Amigos somos

influências Roseanas

Ontem,
dormi pouco,
muito disse,
no não verbal de meus silêncios
Hoje,
busco recantos
onde os ecos em mim
são menos agudos.
E os olhos, quando menos pesados,
repousam, na memória,
seus cheiros e apetites.
"Amigos somos"
É o que as águas diziam
mesmo correndo em gotas,
mesmo em desencontro,
em ondas
"Amigos somos"
mesmo na tempestade
e seus destroços
"Amigos somos"
na sua fraqueza,
condição humanamente possível
"Amigos somos"
na travessia pedregulhosa
boba e medrosa, do viver.

Partida sem ponto

Partida sem ponto

Num ponto da lagoa
a areia, os estrumes e os restos
boiam conjuntamente:
uma espécie de ilha.
Na margem,
entre a navalha do sol
e o sussuro da brisa
juntam-se palavras,
emerge a poesia.

Margem

Margem

O vento faz a água correr
unidirecionalmente,
contra uma de suas margens.
O mesmo fez com meus dedos,
que choram a vaga,
das letras,
contra as beiras,
de uma página.
Na margem,
folhas e restos.
No papel,
sentimentos incompletos.
O sumo de mexiricas
e de um certo azedume,
de minha contação implacável.
A água e seu compassado correr...
Minha vida
e seu desorganizado querer.

Dolência

Dolência

Parte do meu corpo doi
de uma forma latejante
Dói como se em mim
grilhões corressem no sangue
e num dos olhos,
uma dor cega comandasse
a abrangência do visível.
Nesses dias,
em que meu corpo arde,
sinto uma loucura,
com suas calmas.
Um sol lateral,
e um vento,
nas extremidades...
Dia em que grito nas sutilezas
e extremesso placas tectônicas,
na dureza de mim.