sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A alma boa de Setsuan


As férias estão acabando...
Mas sempre há um bom tempo para uma leitura construtiva, certo?
Pois é. Como não posso ir à peça de teatro, leio o livro. Foi isso que fiz com "A alma boa de Setsuan" de Bertolt Brecht.
Para praticar meu alemão, serei mais claro: a peça se chama "Der gute Mensch von Sezuan".
Muito inteligente e contemporânea, como todos os escritos de Brecht que já pude ler.

Vejamos algumas reflexões:

"A maldade é uma espécie de incapacidade" - Ponto de vista esclarecedor. Aquele que utiliza o recurso da maldade, exprime uma incapacidade que possui. Ou seja, a maldade nos impede de ir além, nos paralisa e nos centra em um mundo de egoísmo. Mais do que uma ação, a maldade é um ente que envenena as possibilidades de vida que nos cercam, deixando-nos cegos. Uma reflexão que levarei para a vida!

"Não deveis exigir em demasia logo de início" - O ditado da ponderação, da temperança, do tudo-em-seu-tempo-e-lugar. Difícil de ser respeitado nos tempos atuais, de exigências mil e frenéticas...

A protagonista da peça, se questiona: "Como é que eu posso ser boa, se as coisas andam tão caras" - Uma interrogação que esbanja comentários: a bondade frente o instinto de sobrevivência. Em muitos momentos da obra, "a boa alma" se vê frente a encruzilhadas cujos caminhos levam a bondade ou a maldade. Muitas vezes a escolha "correta" é um suplício: os parasitas que a cercam, a deturpação do mundo e de suas relações, tudo isso joga contra as boas intenções da protagonistas, que são boas de fato. Sendo a bondade seu lema, e o oposto, o lema dos que a cercam, "a boa alma" vive em constante confrontamento e a dualidade do ser humano é expressa na dupla-personalidade vivida pela protagonista: a da boa alma e a do primo articulador, duro e metódico. Contudo, tais personalidades disputam um só terreno e no enfrentamento dessas forças, as incompreensões se multiplicam.

E como o mais inesperado e essencial dos sentimentos, o amor chega na travessia da "boa alma" e, consigo, suas palavras tortas. Termino este breve comentário sobre esta obra rica em todos os sentidos e acepções da palavra, dizendo que a peça deve ser vista e/ou lida (de preferência e) por todo aquele que se interessar em conhecer mais a si e ao mundo que o completa. Termino com algumas palavras da boa alma, em suas divagações com relação ao seu coração enamorado pelo esperto aviador (interessante, se apaixonar por alguém que leva às nuveis, o que não é raro quando esta paixão é sinônimo de amor!).

Carícias tornam-se estrangulamentos,
Cada suspiro é um grito de pavor:
Por que esvoaçam corvos agourentos?
É alguém que vai a um encontro de amor!

Até mais ver, ouvir ou falar (ou escrever)!!
Bambu

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Das asas para os sonhos, mas contando bezeirrinhos


Outra vez os animais como pano de fundo. Dessa vez, nas ironias. Enquanto os touros dão asas, porque não as vacas não dariam o sono? Os opostos não se distraem, como diria Leminski? Agora entendi porque um leite esperto traz um sono rapidinho. Essa descoberta talvez seja tão importante quanto a do protótipo da água de coco com gás! Mas, na caixinha é claro, com rótulo e tudo!

As ironias são importantes para consolidar a sanidade dos viventes. É preciso ter fontes de riso, e as melhores e mais saudáveis delas são aquelas que, mesmo dirigidas ao ator das risadas, constrõem um auto-conhecimento. Os touros de asas devem ter gostado do sucesso do antídoto de origem também bovinesca.

Essas figuras engraçadas, muitas são de coisas que me perpassam pelo dia-a-dia. Estas duas últimas que ilustram as duas últimas postagens (contando com esta que está em plena atividade) são de um blog que encontrei hoje, cheio de propagandas interessantes e criativas ao extremo. Aos curiosos, a fonte que jorra é a seguinte: ulfablabla.free.fr.

Então tchau!
Um dia falo da minha vida!
Só depois de falar da sua! (Brincadeira)
Falar da Vida, mais amplamente, além de evitar constrangimentos, enriquece a existência. Da Vida que me refiro não é nada mais, nada menos, do que o que todo mundo vive, mas sem a pessoalidade de que cada um personaliza a sua própria. Em síntese, falo do que nos é comum, e portanto, não nos é estranho, ou repressivo, ou auspicioso! Falo da humanidade que consigo remeter em palavras.
Só isso, e (d)isso, uai!

E por falar em animais, vejamos os humanizados...


Na postagem referente ao burrinho pedrês falei do quanto de humano este possui. Enquanto alguns seres humanos se vangloriam e se auto-denominam de "evoluídos", outros descobrem nos animais muitas coisas que o bicho homem possui em si. Essas características, do homem animal e de seus demais companheiros de zoo e de bio, que se compartilham e se permutam é muitas vezes fontes de riso, do riso humano frente as suas próprias fraquezas, dita animalidades. Cada animal possui seus trejeitos, seus mais ou menos conhecidos instintos.

O engraçado é quando enxergamos de, maneira gritante, tanta semelhança no tão diverso, assim mais ou menos quando alguém olha no espelho e se assusta com o que se vê, o inesperado que de fato é tão esperado quanto aquilo que se decide por si só. Engraçado como um bovino emo faz com que discutamos coisas tão profundas...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Discussão com Mona Lisa


Fontes inspiradoras de fatos inusitados do cotidiano.
"Turista russa ataca Mona Lisa no Louvre, mas não danifica tela"
Aparentemente sem motivo, mulher atirou caneca de cerâmica na tela e rachou apenas vidro de proteção. FONTE: www.estadao.com.br em Caderno 2 - VARIEDADES 11-08-09.

Hoje vim conversar com vc, Mona. Sim, me atreverei a chamá-la apenas por estes 2 pares de letras, duas vogais, duas consoantes. Essas câmeras me deixam nervosa, mas irei direto ao ponto. Gostaria de saber o seu segredo. Não se faça de desentendida, quero saber sobre o que está sempre a rir. Seu sorriso, este que repousa em seus lábios, que nunca lhe abandona, possui qual motivo? Não me olhe desse jeito. Parece que até quer tirar minha atenção de seus lábios. Quero que me responda logo. Não sei se observa, mas minhas mãos estão tremendo. Sim, tremem com frequencia. Sobretudo quando essas câmeras miram em cheio para as roupas da gente, parece que até observam por dentro da gente, são tão invasivas, e estão em todas as partes Mona, não são só suas. Cada passo que as pessoas que não estão enquadradas dão, as câmeras estão lá cronometrando tudo. Pois bem, Mona, não desviemos do assunto. Diga então o que lhe pergunto. Não me provoque. Esta vendo esta caneca. Posso arremeçá-la em vc. Não trate esta frase como uma ameaça, é que estou com pressa. Sou curiosa. Vivi muitos anos seguindo regras alheias, a igualdade tem seus preços... Estou aqui, vim de longe e quero respostas, Sra. Lisa, vamos... Não quer falar, então serei obrigada a agir de maneira mais firme, vou arremeçar e pronto, seu segredo vai junto com vc para o cemitério das obras famosas... Ah, mas como sou tola, as obras são imortais, só descansarão quando não mais forem veneradas em casas malsoléis tão requintados, os museus de arte... Mas se não posso matar, pois nem vida tem de fato (se bem que suas feições são tão humanas, Mona, esse seu sorriso, seu segredo deve ser o mais rentável de todos os casos que os tablóides ingleses já tentaram publicar às custas de fontes secretas... Se não vai colaborar, terei que ser rígida, e espero que seu vidro não seja e plafit ...xxx..xxx...xxx...xxx... Que barulho é este, não fala em lingua estrangeira? Este som é familiar aos meus ouvidos, Mona Lisa tem seus guarda-costas... Eu me entrego, não precisam empurrar, Mona Lisa está bem, meu Sr, não precisa me olhar com esta cara, não sou uma assassina, eu e Mona conversávamos, ela me tirou do sério e deixei minha caneca cair rumo a sua imagem, foi isso que se passou... Não sou doida, imagina? Olha os direitos humanos, moço? Nunca viu discussão entre mulheres...

O burrinho pedrês e os sertanejos


Lendo o livro "Desenveredando Rosa", encontrei uma parte muito interessante que analisa o burrinho pedrês, personagem de um conto homônimo do livro Sagarana, de Rosa. O texto compara as características do burrinho com as do sertanejo. Para comprovar estas semelhanças, o personagem de Rosa tem suas características comparadas às qualificações dadas aos sertanejos pelo escritor Euclides da Cunha, no livro "Os Sertões".

As duas obras possuem fragmentos muito interessantes. Aproveitarei de alguns para escrever algumas linhas, uma terapia cotidiana, minhas aventuranças pela escrita. Começarei por fragmentos do desenveredando e em seguida passarei aos d'Os Sertões. O que não está em negrito é de minha autoria!

"Burros, como sertanejos, são ladinos:desenvolvem, em relação ao mundo, aquela inteligência que suscita os enigmas de uma língua desconhecida - eles "desentendem", "entr'entendem", lendo-os nos ritmos, nos silêncios e nos intervalos, mais do que nos conteúdos e nos preceitos positivos da experiência das suas andanças. O essencial mostra-se nas margens". Esta última frase ficou martelando no meu pensamento. "O essencial mostra-se nas margens". Isso nos permite concluir que a observação pura e simples de um contexto, por mais superficial que achemos, pode trazer grandes descobertas. E pela casca que se sabe a maturidade do fruto. É pela margem do rio que se sabe o quanto sua vida ainda é preservada. Realmente as margens dizem muito, falam muito das essências. Deixam-nas caminhar destrambelhadas até o toque de recolher das censuras.

"Se as coisas aparecem na sua concretude elementar, não são elementares, nem simples, as tramas nas quais esses elementos se entrelaçam". Por mais simples que nos olhos parecem julgar um outro, o pensamento de outro ou qualquer que seja o julgamento aferido pelas nossas sensações referentes ao mundo que nos cerceia, temos a rotineira impressão de simplificar tudo. O ser humano vive em busca de ferramentas que simplifiquem, para compreender em sua sede de entendimentos os mecanismos, a máquina do mundo. Contudo, se julgamos tudo tão simples, esquecemos de um fato: o simples não está separado. Se o enxergamos como tal é porque nossos olhos estão cegos aos laços e interligações que teiam as relações entre os "simples".

"Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas". O homem sertanejo não anda em linha reta. Os morros ensinaram a seus pés que o vacilo é recorrente. Traçar caminhos em um chão já moldado e remoldado pelas artimanhas dos tempos e temporais, isso não é tarefa humana, ainda mais sertaneja. Ao homem do sertão restou suas habilidades de tangenciar, de tanger as criações e os sentimentos impulsivos. Desde criança já frequenta o labirinto da caatinga espinhenta. Aprende, na mocidade, a serpentear na aridez em busca da água, escassa, e o de-comer, cravado no solo árido ou nas selvagens caçadas.

Existe uma oposição burro-cavalo que Rosa parece derivar da comparação que Euclides da Cunha traça entre o sertanejo e os orgulhosos cavaleiros do sul. (...) O burrinho é o perfeito reflexo dessa vida acuada, na qual só sobrevivem os que têm a calma esperteza de aprovietar qualquer mometo para descansar e qualquer meio para repor as forças, no meio do turbilhão de dificuldades que ameaçam moê-lo. Ser burro ou cavalo, eis a questão? A paciência é uma dádiva do primeiro. Os fortes ímpetos, do último. Em que momentos ser um, em quais ser o outro?


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Conversa de Psiquiatras


Estava eu, humilde, aguardando a minha orientadora, que terminava de discutir alguns casos com seus residentes, quando recebi um convite de um dos outros docentes presentes na sala de reuniões para que eu me acomodasse em uma das poltronas e aguardasse até que minha orientadora estivesse disponível para iniciármos nossa reunião.

Como não queria atrapalhar, de início recusei o convite, afirmei que ali mesmo estava bom, aguardando no corredor. Mas, fui logo dissuadido por uma afirmação que, comprovadamente eu já sabia que era uma verdade altamente recorrente: "sua orientadora vai demorar, é melhor esperar aqui dentro".

Adentrei-me ao recinto. Procurei um livro dentro de minha mochila e começei a perseguir as palavras, tentando me desvincular das discussões que transcorriam no ambiente. Foi então que um dos professores começou a dar explicações e a fazer comentários que me chamaram a atenção.

Após alguns comentários, o professor começou a transcorrer sobre "coisas do senso comum". E proferiu: Se o senso comum tivesse efeito terapêutico, nossos pacientes, todos, se curariam com um par de frases, infalível e sem contra-indicações. Tal afirmação atraiu a curiosidade tanto minha quanto a dos residentes. O professor continuou: O paciente contaria sua história, suas queixas, suas inquietudes e diríamos: "Ah... Desencana". O paciente ficaria assustado, com aquela resposta tão abrupta. Daí, como um segundo passo de dança, num átimo, o doutor completaria: "Parte pra outra"! Pronto: o paciente estaria curado!

Achei o comentário muito interessante, sobretudo a reflexão sobre o senso comum, que como seu próprio nome já diz, é um companheiro muito presente no cotidiano.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ground Zero Bar

Uma música que acho interessante, do cantor francês Benjamin Biolay...Tecerei comentários a respeito da mesma assim que a INTERNET tiver uma velocidade compatível com o fluxo de consciências que meus dedos imprimem nesta tela...

Atenciosamente,

Bambu!

Benjamin Biolay – Ground Zero Bar



En guise de (à maneira de) préambule,
Je me suis mis de côté,
Je ne suis qu'un funambule,
Au diable les à-côté,
Dans mes yeux,
De toi vu d'ici,
Où la flamme qui brûle en moi,
En lui, c'est de la vie.

Au fond, (no fundo, na realidade)
C'est phénoménal de n'avoir aucun regret,
Ni temps à perdre, le temps, c'est de la merde,
Dans les gouttes des échelles (escada) en verre,
Autant s'y faire, s'y plaire (satisfazer, agradar)
S'en plaindre (lastimar-se, queixar-se) si nécessaire,

Mais quel temps de chien, tendre (estender, armar) l'autre joue puis la bouche
Le temps de rien, se mettre à genoux sous la douche.
Comme les autres.

Pour le plaisir de ces dames,
J'ai regardé sous leurs jupes,
Je suis un simple quidam (fulano)
Et longue sera ma chute, (queda)
Sous (sob, debaixo) ma peau, des éclats (restos, estilhaços) de lame,
Mais la flamme qui brûle en moi, en lui,
C'est de la vie.

Mais quel temps de chien, tendre l'autre joue puis la bouche
Le temps de rien, se mettre à genoux sous la douche.
Regarde bien,
Ai-je voté pour Monsieur Bush ?
Comme les autres.

Comme des millions d'homo sapiens,
Après la messe,
On aime le delirium tremens,
Et la paresse (preguiça),
On préfère toujours l'entresol,
A l'entrepôt;
La bière n'a jamais de faux-col, (colarinho postiço)
Au Ground Zero bar... Au Ground Zero bar... Au Ground Zero bar...

(...)

1968 - O diálogo é a violência


Nessas férias, aproveitei para me inteirar um pouco mais sobre o movimento estudantil (ME).

Para isso, existem várias maneiras. Escolhi a que parecia a mais conveniente. Li um livro. De autoria da socióloga Maria Ribeiro do Valle, o livro 1968 - O diálogo é a violência - Movimento Estudantil e Ditadura Militar no Brasil, trata de um dos momentos históricos mais conturbados do ME.

Um livro rico de fatos históricos. Suas refências levam o leitor a sentir as agonias e deturpações que marcaram este período histórico, não só no Brasil, como de uma geração.

Das conclusões que tirei com esta leitura, que em momentos me atraía com as "aventuranças" e em outros me afugentava "com os cacetetes", tirei algumas conclusões ''minhas" sobre o movimento estudantil, apelidado de ME para cultivar o bem-estar dos meus dedinhos:

1) O ME tem como uma de suas características a divergência. Ou seja, nunca se conseguiu uma posição homogênea das mais variadas classes representativas dos estudantes. Isso é um sinal positivo entre os órgãos representativos, pois a divergência é sinal de inteligência. Contudo, muitas vezes a divergência era tamanha que comprometia a própria articulação do ME com as demais entidades representativas ou mesmo criava situações em que os próprios estudantes se sentiam "alheios" às idéias defendidas por seus próprios representantes (algo parecido quando vejo o Collor no Senado, se é que me intendem).

2) O 4º Poder, a mídia, é um fato no Brasil.

3) Os ideais estudantis de 1968 ainda perduram no século XXI. "Os sonhos não envelhecem", como dizem os cantores e poetas, tão misturados uns nos outros... A primeira afirmação, obtida de minha leitura em férias expõe um fato que revoga a opinião de muitos pessimistas que descredenciam as ações estudantis que ocorrem na atualidade, auto-denominando-as de desconexas, esdrúxulas e até de inexistentes... O ME não acabou.

4) A UNE hoje é só uma das facetas da representação estudantil, sem sua força motivadora das épocas dos homens de chumbo.

E finalmente,
O livro é uma ótima dica de leitura...

domingo, 2 de agosto de 2009

Gripe Suína


Todos estão em alerta!
Nunca espirros soaram tão preocupantes...
As mãos nunca tiveram seus movimentos tão vigiados.

Os jornais falam de mortos,
contam as tragédias com o conta-gotas

As máscaras se tornaram um utensílio requisitado.
As pessoas não se dão mais as mãos.
As pessoas estão com medo.
As pessoas estão exagerando!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ipês que abraçam o céu...rumo a Cachoeira do Nego

As pedras traçam o caminho.
A poeira deixa os rastros.
Na estrada,
apenas a grama seca,
a rasteira entre os cascalhos.
Flores são poucas,
tímidas,
entre pedregulhos.
As cores são fortes:
deixam os olhos
estranhados,
pelo costume do gris pétreo.
O caminho são subidas,
os morros da resistência.
Árvores são poucas,
esparças,
assim como as sombras,
no gradio beirando a estrada de chão
A cantoria dos pés,
no repique ôco da poeira,
no timbre grosso do cascalho,
é o alarde dos pássaros,
é o silêncio do suor.
Cachoeiras apontam entre serras,
cortam as pedras,
na dança dos desvios.
Os ipês
amarelos
abrem os galhos
com seus cachos dourados,
um abraço da solidão
na curva do vento.

Uma trilha, mais do que exercício físico, é exercício poético!
O Cerrado, traça um verso em cada canto de seus capões e morros.
Estes versos me surgiram quando rememoro a trilha rumo a Cachoeira do Nego, uma das várias cachoeiras que se situam no entorno de minha terrinha, São Roque de Minas.

domingo, 26 de julho de 2009

Nos Bailes da Vida, do Bituca!


Olá
Descobri nessas férias que sou fãnzásso do Milton.

A canção "Nos Bailes da Vida", segue abaixo. Letra marcante, na voz de um grande interprete: só pode ser um bálsamo aos que da música carem!

Foi nos bailes da vida ou num bar

Em troca de pão

Que muita gente boa pôs o pé na profissão

De tocar um instrumento e de cantar

Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim



Cantar era buscar o caminho

Que vai dar no sol

Tenho comigo as lembranças do que eu era

Para cantar nada era longe, tudo tão bom

Pé a estrada de terra na boléia de um caminhão

Era assim


Com a roupa encharcada e a alma

Repleta de chão

Todo artista tem de ir aonde o povo está

Se foi assim, assim será

Cantando me desfaço e não me canso

De viver, nem de cantar

Poço das Orquídeas - São Roque de Minas -MG


Olá
Minha auto-biografia (o começo)
Como muitos já sabem sou

MINEIRO
NASCIDO EM ...
SÃO ROQUE DE MINAS
CIDADE QUE ABRIGA O ...
PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CANASTRA
EM QUE SE LOCALIZA A ...
NASCENTE DO RIO SÃO FRANCISCO
E SUA PRIMEIRA QUEDA D'ÁGUA, A ...
CACHOEIRA CASCA D'ANTA

Em minhas andanças pela natureza que cerca a minha pacata cidade fui visitar essa semana o Poço das Orquídeas, um atrativo natural à 6 km de São Roque de Minas. Uma caminhada em vários terrenos que vale a pena.

Espero que se sintam motivados a conhecer este pedaçinho pouco modificado pelo bixo homem!

Bambu

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Literatura Festival de Inverno 2009

Caros leitores, compartilho com vocês dois poemas de minha autoria que foram selecionados pela banca literária examinadora do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Fórum das Artes 2009. Espero que gostem!
À delante,
Fabrício D. da Costa, ou Bambu (verde de alegria e magricela como sempre!)

Travessia


É no chão

que se enraízam os sonhos,

É da terra

que se colhem as ilusões.

Andei entre as serras,

encontrei, entre os morros,

a poeira de uma vida em silêncio.

A terra e suas lições,

dos mil grãos:

ser poeira nas horas de provação.

Ser argila,

quando a forma se exige,

e dar corpo às mãos do artesão.

É do chão que colho as canções.

Dos sons, dos escuros,

das danças e tramas das raízes.

Da terra nasci,

e do chão serei parte,

um dia, no cair da tarde,

meu corpo arde e as montanhas adormecem.

Pássaros dão ouvidos às violas.

Terei da terra o calor,

e do chão as inscrições de uma travessia,

como as linhas de minhas mãos,

os trilhos de um trem sem maquinista.


...

Terra de ninguém


O coração da gente

É que nem uma terra de ninguém

Terra que não tem dono

Terreno baldio

Em que capins vistosos

Crescem entre os cantos

De formigas lavapés

E grilos encardidos

Terra de ninguém

Até que um dono aparece

E toma posse

E quer da terra

Todos os frutos

A terra é toda rachaduras

A chuva vem às montas

Solapa o chão,

E carrega o caldo da vida

A cerca faz da terra uma gaiola

O chão passa a ser

Alqueires de quereres

Os bois pastam a grama

O tempo pasta as paixões

As pedras e os cupinzeiros

Apontam para a fuga

O dono do chão

Não manda no coração