sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ipês que abraçam o céu...rumo a Cachoeira do Nego

As pedras traçam o caminho.
A poeira deixa os rastros.
Na estrada,
apenas a grama seca,
a rasteira entre os cascalhos.
Flores são poucas,
tímidas,
entre pedregulhos.
As cores são fortes:
deixam os olhos
estranhados,
pelo costume do gris pétreo.
O caminho são subidas,
os morros da resistência.
Árvores são poucas,
esparças,
assim como as sombras,
no gradio beirando a estrada de chão
A cantoria dos pés,
no repique ôco da poeira,
no timbre grosso do cascalho,
é o alarde dos pássaros,
é o silêncio do suor.
Cachoeiras apontam entre serras,
cortam as pedras,
na dança dos desvios.
Os ipês
amarelos
abrem os galhos
com seus cachos dourados,
um abraço da solidão
na curva do vento.

Uma trilha, mais do que exercício físico, é exercício poético!
O Cerrado, traça um verso em cada canto de seus capões e morros.
Estes versos me surgiram quando rememoro a trilha rumo a Cachoeira do Nego, uma das várias cachoeiras que se situam no entorno de minha terrinha, São Roque de Minas.

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