À delante,
Fabrício D. da Costa, ou Bambu (verde de alegria e magricela como sempre!)
Travessia
É no chão
que se enraízam os sonhos,
É da terra
que se colhem as ilusões.
Andei entre as serras,
encontrei, entre os morros,
a poeira de uma vida em silêncio.
A terra e suas lições,
dos mil grãos:
ser poeira nas horas de provação.
Ser argila,
quando a forma se exige,
e dar corpo às mãos do artesão.
É do chão que colho as canções.
Dos sons, dos escuros,
das danças e tramas das raízes.
Da terra nasci,
e do chão serei parte,
um dia, no cair da tarde,
meu corpo arde e as montanhas adormecem.
Pássaros dão ouvidos às violas.
Terei da terra o calor,
e do chão as inscrições de uma travessia,
como as linhas de minhas mãos,
os trilhos de um trem sem maquinista.
Terra de ninguém
O coração da gente
É que nem uma terra de ninguém
Terra que não tem dono
Terreno baldio
Em que capins vistosos
Crescem entre os cantos
De formigas lavapés
E grilos encardidos
Terra de ninguém
Até que um dono aparece
E toma posse
E quer da terra
Todos os frutos
A terra é toda rachaduras
A chuva vem às montas
Solapa o chão,
E carrega o caldo da vida
A cerca faz da terra uma gaiola
O chão passa a ser
Alqueires de quereres
Os bois pastam a grama
O tempo pasta as paixões
As pedras e os cupinzeiros
Apontam para a fuga
O dono do chão
Não manda no coração
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