quarta-feira, 22 de julho de 2009

Literatura Festival de Inverno 2009

Caros leitores, compartilho com vocês dois poemas de minha autoria que foram selecionados pela banca literária examinadora do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Fórum das Artes 2009. Espero que gostem!
À delante,
Fabrício D. da Costa, ou Bambu (verde de alegria e magricela como sempre!)

Travessia


É no chão

que se enraízam os sonhos,

É da terra

que se colhem as ilusões.

Andei entre as serras,

encontrei, entre os morros,

a poeira de uma vida em silêncio.

A terra e suas lições,

dos mil grãos:

ser poeira nas horas de provação.

Ser argila,

quando a forma se exige,

e dar corpo às mãos do artesão.

É do chão que colho as canções.

Dos sons, dos escuros,

das danças e tramas das raízes.

Da terra nasci,

e do chão serei parte,

um dia, no cair da tarde,

meu corpo arde e as montanhas adormecem.

Pássaros dão ouvidos às violas.

Terei da terra o calor,

e do chão as inscrições de uma travessia,

como as linhas de minhas mãos,

os trilhos de um trem sem maquinista.


...

Terra de ninguém


O coração da gente

É que nem uma terra de ninguém

Terra que não tem dono

Terreno baldio

Em que capins vistosos

Crescem entre os cantos

De formigas lavapés

E grilos encardidos

Terra de ninguém

Até que um dono aparece

E toma posse

E quer da terra

Todos os frutos

A terra é toda rachaduras

A chuva vem às montas

Solapa o chão,

E carrega o caldo da vida

A cerca faz da terra uma gaiola

O chão passa a ser

Alqueires de quereres

Os bois pastam a grama

O tempo pasta as paixões

As pedras e os cupinzeiros

Apontam para a fuga

O dono do chão

Não manda no coração


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