domingo, 19 de junho de 2011

O espelho


Baseando-me no conto de mesmo nome, da autoria de Guimarães Rosa, transcrevo e comento algumas linhas-poéticas:

"Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo" (p.119)

O mistério. Tema que a gerações vem a nossos olhos, nos momentos de sutileza. Quando o inesperado acontece, ou quanto nos damos conta do já acontecido, as dúvidas e os questionamentos nos aparecem: por que assim, não assado? Interessante pensar que, nada é tão por acaso assim, mas talvez nos falte a perspicácia, ou mesmo habilidades objetivas para nos darmos conta do processar e acontecer das coisas. Olhos abertos, janelas ao vento do inesperado. Mistérios...

O admirador de mistérios, assim como o de espelhos seria, como diria Rosa, "companheiro no amor da ciência, de seus transviados acertos e de seus esbarros titubeantes". Assim, talvez me definiria, se preciso fosse, um homem com a ciência, mas não da ciência, conhecedor de seus potenciais e de suas inconsistências e limitações... Um equilibrista entre a corda bamba da existência.

Um homem frente ao espelho: que se vê, tão nitidamente que quase sente o toque da realidade, mas virtualmente se concebe - um constante duelar pela clareza além das deformações geométricas.

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