Marrecos I
São poucos,
mas aos montes,
cantam aos sopros
entre bicos alaranjados.
Uns em pé,
outros, como estátuas,
penas cinzas e brancas,
sobre o vento úmido
de chuvas e temporais de ontem
Os marrecos dizem muito
quando desandam
a gritar seus prantos
à surdem do bando
===
Marrecos II
Aves buzinas,
cantam e ciscam
cavucam o solo úmido
Parece que vasculham
meu pensamento de profundezas
Patinam miúdamente,
o chão de húmus
de homo sapiências.
Bicam os tocos,
Picam os ocos,
da minha despreparada sina
de capins mesquinhos,
heras rasteiras,
épocas e asneiras
indescência de insetos
escrementos de marrecos
Fussem aves granjeiras
até que,
no meio da lameira
encontrem o vivo
ocado em mim.
Barrocas inclinações,
de vida argilosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário