domingo, 30 de outubro de 2011

Marrecos I e II


Marrecos I

São poucos,
mas aos montes,
cantam aos sopros
entre bicos alaranjados.

Uns em pé,
outros, como estátuas,
penas cinzas e brancas,
sobre o vento úmido
de chuvas e temporais de ontem

Os marrecos dizem muito
quando desandam
a gritar seus prantos
à surdem do bando

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Marrecos II

Aves buzinas,
cantam e ciscam
cavucam o solo úmido
Parece que vasculham
meu pensamento de profundezas

Patinam miúdamente,
o chão de húmus
de homo sapiências.

Bicam os tocos,
Picam os ocos,
da minha despreparada sina
de capins mesquinhos,
heras rasteiras,
épocas e asneiras
indescência de insetos
escrementos de marrecos

Fussem aves granjeiras
até que,
no meio da lameira
encontrem o vivo
ocado em mim.
Barrocas inclinações,
de vida argilosa.

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