Munidos com a vassoura e a lixeira móvel, este gari, um dom-quixote dos tempos modernos, tenta lutar contra o pior dos dragões, cotidianamente presente: a indiferença dos passantes, a invisibilidade que destrói a humanidade e nos empobrece como pessoas.Uma mensagem enviada por um dos integrantes (Obrigado, Zen!) do grupo de e-mails da minha turma da FCM - Unicamp trouxe uma mensagem muito interessante, uma tese de mestrado que comprova a já presumível facilidade humana de ignorar os mais simples. Deem uma olhadinha (notem, inclusive, que a falta de acento circunflexo no verbo que inicia a frase anterior não foi um lapso, mas uma forma proposital para demonstrar a minha adesão as novas regras ortográficas):
'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social...
Para quem quer saber um pouco mais sobre esta tese, leiam o texto de Plínio Delphino, no Diário de São Paulo, ou procurem a tese do professor Fernando Braga da Costa.
Cores vivas frente a invisibilidade pública
Fiquei pensando com meus botões depois de ler este e-mail e perguntei às minhas intranhas: será que muitos garis usam uniformes com cores vivas para que, de fato, possam ser notados de alguma forma, no mínimo pelo trânsito, e intuitivamente, pela população que é integrante do mesmo? Como bom palpiteiro, acredito que talvez as cores possam ajudar. Mas infelizmente existe uma classe de pessoas, que a cegueira da arrogância é de tal forma grave e irreversível, que não conseguem enxergar o ser, sem o colírio das aparências e dissimulações. Pior do que a constatação desta tese, a tese da invisibilidade pública, é saber que só o respeito e uma educação completa do ser podem impedir o alastramento das sombras sociais em nosso meio, bens cada vez mais escassos em nosso entorno.
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