segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"O livro da dor e do amor"


Começarei por esta postagem, mas espero que eu venha me manifestar novamente por outras, a respeito de um livro que estou lendo que é muito interessante e carece de um espaço para reflexão de suas mensagens. O livro de J.-D. Nasio chamado “O livro da dor e do amor” será o mote de uma discussão muito interessante, um meio de buscar o auto-conhecimento e melhorar a compreensão de uma imbricada trama que envolve as palavras dor e amor. Então, finalizo: essa postagem e outras tantas serão áreas de pitaco livre (APL) para florescer o imaginário e aprofundar os conhecimentos motivados por esta obra, cativante, na minha humilde opinião. Pois bem, aviso dado, recado acabado!


“O estatuto fantasiado do amado assume pois três formas diferentes, que correspondem às três dimensões lacanianas do real, do simbólico e do imaginário. O real é simplesmente a vida do outro, a força de vida que anima e atravessa o seu corpo. É o real que dá corpo ao laço e ao inconsciente. A presença simbólica do eleito é um ritmo, mais exatamente o compasso pelo qual se regula o ritmo do meu desejo. É uma reinterpretação dos conceitos freudiano de recalcamento e lacaniano de Nome-do-Pai. O eleito simbólico é dono do compasso imposto ao meu desejo. Por fim, a presença imaginária do eleito no nosso inconsciente se resume em ser o espelho interior que nos remete as nossas próprias imagens. As imagens logo que recebidas fazem nascer um afeto. Este espelho psíquico, semelhante a um caleidoscópio sinestésico: produtor de imagens sempre parciais e móveis, não apenas visuais mas multi-sensoriais. Para que tudo isso ocorra é preciso da presença viva do amado. Junta-se a isso, a existência de uma espécie de enquadramento da imagem inconsciente do amado, ou seja, a idealização do eleito


De fato, inicialmente esses vocabulários parecem amedrontar um pouco. Soam um tanto herméticos. Mas, tentarei abordá-los, de acordo com o meu entendimento e minha interpretação do que já li no livro, de forma a melhorar a minha própria apreciação do exposto.

Primeiramente, tenta-se compreender a fantasia do amado por três dimensões: o real, o simbólico e o imaginário. Cada uma possui suas peculiaridades. O real, um termo confuso, pois remete a verdade, a algo digno de rei, a algo magnífico, mas neste caso é algo pertencente ao outro, mas que não se limita a ele, pelo contrário, extravasa essa fronteira e possui terreno fértil em mim. É a tessitura do laço que me une a fantasia do amado. O simbólico é o ritmo, ou seja, é a válvula de escape do desejo, porém até um certo ponto, a um ponto em que a insatisfação possa existir. O amado nunca nos satisfaz por completo. O imaginário, por fim, é o espelho interior, ou seja, um objeto que nos permite ver o outro e nos ver refletidos nele, mas não de maneira totalmente especular, mas com distorções, variações, com semi-tons e mobilidade, com a diversidade não só de imagens mas tudo que se pode abarcar pelos sentidos. Junta-se a essa imagem, a capacidade de nós, ao enquadrarmos a imagem inconsciente do amado, fazer conjecturas sobre o mesmo, muitas vezes repletas de idealização com repercussões várias, muitas delas negativas.



Em resumo:
“O eleito é, antes de tudo, uma fantasia que nos habita, regula a intensidade do nosso desejo (insatisfação) e nos estrutura. Ele não é apenas uma pessoa, mas uma fantasia construída com a sua imagem, espelho das nossas imagens (imaginário), atravessado pela força do desejo (real), enquadrado pelo ritmo dessa força."

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