terça-feira, 21 de julho de 2009

O médico



O médico


Na casa de taipas,
guarda o pai frente a filha em febre ardente.
A mãe, em prantos, está de joelhos.
Fala frases ininteligíveis,
aos anjos destinadas.
A criança apenas geme.
Os irmãos brincam no outro canto,
tentam amenizar a seriedade da cena.
Aguardam todos o doutor,
sua maleta,
suas pílulas,
suas palavras.
Ouve-se entre o alívio e os suspiros,
o trote do cavalo e do passo humano.
Chegou o doutor.
A porta se abre.
O médico vê pela luz da vela,
a escuridão da cena:
Tão moça...
Tão grave...
Debruçados sobre o leito,
pensa o médico,
reza a mãe,
observa o pai,
brincam os irmãos.
O médico pondera,
mão no queixo,
pés no chão.
Tão esperado,
mas tão limitado,
tão humano,
em contextos teocêntricos...
O silêncio fez-se o vocábulo de escolha .
A vigília, a atitude de honra.
A noite, a mais longa em aparências.

Donivaldo Doravante

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