terça-feira, 21 de julho de 2009

Pavio



Pavio

Doutor moço,
Escuto seus passos.
Não precisa ter medo.
Chega perto de mim.
O barulho na noite escura,
de vigílias intermináveis,
não me é estranho.
Descanso meus pesos nesta cama.
Seus professores e tu cuidam de mim.
Fazem o que podem,
e o que o Senhor
dos céus assim permite.
Mas sinto que estou a morrer.
A morte não é ruim seu moço.
Não me olhe com esses olhos!
Não confabulo.
Penso nas profundezas.
O corpo,
um dia descanso exige.
A gente é como o pavio duma vela:
Não se vê o final,
mas ele se persegue na vivência.
Num dia o encontramos,
e o fim é um sopro.
A fumaça de nossas vivências ainda ficará.
A luz que produzíamos viva ainda brilhará,
naqueles que, em nós, brilho viam em vida.
Não me derrame lágrimas menino!
Apenas aperta minha mão...
É que tenho medo de subir escadas...

Salustiano Almeida Lima

(imagem de autoria de Luis Amado Rego)

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