sexta-feira, 23 de abril de 2010

Centro Cirúrgico


A porta de vidro foi aberta com um aperto de uma tecla.
A 3 passos, encontra-se uma janela lateral, de vidro corrido.
Do outro lado, os ternos cirúrgicos, as tocas, as máscaras e as mãos silenciosas que conduzem o primeiro paramento em direção às mãos do outro lado.
Agradeço e minha resposta ecoa sem resposta.

A próxima porta à esquerda me conduz ao vestiário.
Lá, as vestes brancas do hospital tornam-se ocultas.
Estou paramentado.

O próximo corredor, saindo do vestiário, conduz às salas cirúrgicas.
Cada número, um procedimento.
Cada procedimento, um paciente.
Cada paciente, algumas tantas outras pessoas nos mais diversos cantos e atos.
Alguns leem, outros escrevem, outros abrem campos estéreos com todo zelo, pensando no oculto contaminante entre as brechas invisíveis ao olhar humano.
Outros instrumentam. Poucos "cirurgiam"...

Eu, com as mãos vigiadas, observo o desenrolar das cirurgias.
Um mundo vertiginoso: enquanto um ganha a liberdade aórtica após o fim de uma coarctação, outro ganha a saúde tendo um dos membros inferiores desvinculado de si.
A cirurgia e seus rituais... um mundo tão novo quanto instigante.
Mundo de limites tênues, como a espessura do fio 7 zeros sob a agilidade de dedos treinados e olhos sob lentes de aumento.

E esta máscara que não me impede de sentir o cheiro do humano por dentro!
E esta toca que ao recobrir minhas orelhas demonstra o quão clinica é minha postura.

Meu dia na cirurgia foi assim: de descobertas sutis!

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