terça-feira, 28 de junho de 2011

Da duração dos corpos...


Por Spinoza

" ...

A duração de nosso corpo não depende de sua essência, nem tampouco da naturaze absoluta de Deus. Em vez disso, nosso corpo é determinado a existir e a operar por causas tais que, também elas, foram determinadas por outras a existir e a operar segundo uma razão definida e determinada; e essas, por sua vez, por outras, e assim até o infinito. A duração de nosso corpo depende, portanto, da ordem comum da natureza e do estado das coisas (...) O mesmo ocorre com as coisas singulares. São coisas contingentes e corruptíveis.

... "

Por mim,

Duração dos corpos

Quanto durará seu corpo?
A duras penas,
durará o quanto,
ao seu encontro,
tempo restar.

Não durará muito tempo,
sem um alento,
sem um constante momento,
de instáveis ausências

Corre a vida,
desperdiça-se a isca,
perde-se o ponto,
some-se o pente,
move-se o ventre,
come-se a quente,
a carne e a mente,
diálogos em torrentes.

Durou muito,
quanto pouco, um sussuro,
um respiro, um murmúrio,
mas durou o suficiente,
para que um arrepio entre a gente,
viva vida sentir-se pudesse.

Durará quanto?
Quem sabe o tanto,
e até que ponto,
um canto,
até que pranto,
o esfacelo das partidas,
naturais e esperadas,
finitudes do existir.

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