terça-feira, 19 de junho de 2012

Dias sem palavras

Escrita livre, amarrada ao sono, arisca ao silêncio... Porque não fui gerado pedra, com sua obstinada amizade ao silêncio?

Dias sem palavras,
muitos espaços,
brancos,
pios
de ecos

Espremo
respiro,
transpiro
e das palavras,
só os cacos,
os excrementos,
nessa petrosa testa que me grita,
em suas circunvolúvias dúvidas cinzentas

Aperto os dedos
no teclado sintético,
grito nas profundezas,
e de resto,
não ouço nada
além das insignificâncias,
que rodeiam
minhas neuroses,
nesses ossos trêmulos,
carne fraga,
fôlego efêmero,
risco n'água,
ponto fraco de freios.

Amanhã as palavras voltam
como das férias,
bronzeadas,
risonhas,
entorpecidas,
para mais um dia,
que consome
suga
e rouba,
seus capitalísticos preços,
creditados, num átimo,
em segundos,
em troca,
das espectativas
e dos sustos,
de um surto,
nessa masmorra,
de ser o mesmo,
aqui, alí ou
em Andorra.
Para dos grilhões,
lembrar apenas,
do peso,
e correr das palavras,
não mais cativas,
tão soltas,
como abraços de andorinhas.

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