As barbas estão tão na moda,assim como
as mentiras cotidianas,
os abraços esterilizados,
as falas de elevador,
as sombrinhas desmontáveis,
os contatos de conveniência,
os contratos com suas reticências...
Sim, as barbas estão na moda,
estão em toda a parte,
canto ou face,
escondem o encardido,
os restos de sorte,
as revoltas de épocas
nervos e livros,
no avassalador descuido,
roedor da roda.
A barba toma conta,
dos cantos,dos encantos,
vai plantando,
em cada póro,
uma vegetação espinhosa,
na aridez da caminhada arrastada,
piniquenta
ouriçada,
das minhas trilhas fasciais
Mas um dia,
num átimo,
numa fúria cortante,
cega e amolada,
na sangria de uma lâmina,
ponho fim,
nesta crosta de fâneros,
pêlos,
gritos,
sonâmbulos
roço esta implacável máscara,
dando fronte,
a afronta,
de ter a cara,
limpa,
aos tapas da vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário