sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sem ar

Sem ar

... Respire fundo pelo nariz e solte o ar pela boca... 

Falta-me
além do pão,
das boas amizades
e dos carinhos matinais,
ultimamente,
o ar.

Existe remédio,
substituto ao tédio,
para a ausência
desta rica e minéria
excrecência?

Do que adianta,
o ar entre tubos,
gélido, quase em cubos,
sem que se circule,
turbulento e púbere,
o ar?

Respiro fumaças,
que palpitam minhas entranhas,
Cesso vícios,
Inicio outros,
criteriosamente prescritos,
mas o forasteiro,
sumido, estrangeiro,
continua a faltar-me o ar

Há só uma saída,
mais aerada,
sem neblinas,
viver sem esta bruma,
contentar-me sem as plumas,
ter na solidez cotidiana,
a inexplicável adaptação
baqueteada e cianótica,
vida acinzentada, sem ar!






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