quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Forum de Medicalização da Vida da Criança e do Adolescente - O mito da Ciência

Participei do Segundo Forum "Medicalização da Vida da Criança e do Adolescente", em Campinas, na UNICAMP. O tema das palestras versava sobre "O mito da ciência". 

Certamente, tratou-se de um espaço de muita reflexão sobre a relação que tem-se construído na atualidade com os medicamentos que, em última análise, traz diversos questionamentos sobre a clínica e o cuidado que se tem dedicado às crianças e aos adolescentes.

Falas muito importantes e potentes povoaram o Fórum!

Pela defesa irrestrita da vida, não há conflitos de interesse, como bem nos lembrou Profa. Cida Moysés. Em  sua fala sobre os mitos que povoam o diagnóstico e tratamento do TDAH, numa coerência franca e forte, a médica foi capaz de contestar o discurso hegemônico sobre o tema, sobretudo aquele ecoado por "cientistas", "pseudocientístas", pais e, porque não pessoas taxadas de portadores de TDAH.

A ausência de evidências científicas que comprovem o valor terapêutico das drogas usadas para o tratamento do TDAH, bem como a vasta literatura que traz como eficaz a orientação familiar frente a medicalização, fica nítida a influência de outros setores na propagação da medicalização das crianças e adolescentes.



Profa. Dra. Cida Moysés, Pediatra, uma das organizadoras do evento e militante do movimento contra a medicalização da vida da criança e dos adolescentes.

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A vida vaza! Contra as ações microfascistas!

Mehry, em uma fala sempre apaixonante, trouxe diversos elementos para se entender a complexa rede de confrontos que se tece pela construção de subjetividades no campo social. Para o impulso de dessubjetivação, surgem diversas formas de subjetivação. Esta luta, constante, a disputa desse espaço social, tem a medicalização como um de seus fios condutores. O sanitarista traz suas novas experiências com "os sinais que vem da rua", que trazem diversas reflexões frente ao manejo de existências em que a vida vaza pelos póros e represas representados pelos modos de viver regulamentados e tidos como "normais".

Para se entender a questão da medicalização e suas linhas perfurantes, capilarizantes, há que se entender a fina trama do desejo que regula os modos de existência num mundo capitalista, em que práticas microfascistas podem existir e que subrepticiamente criam clones humanos ao invés de vidas, que per se, tem na aparição das anomalias como expressão primeira de sua resistência.

Um conjunto de palestras motivantes, inquietantes e repletas de encômodos, como defrontar-se com uma rã no ralo, como nos lembra Manoel de Barros.



Prof. Emerson Mehry, sanitarista da UFRJ, que falou sobre os "Sinais que vem da rua".

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