Neste momento de "limbo" em que me encontro, entre provas (e seus comemorativos físicos como dores cervicais), concursos, no aguardo da documentação (vulgo número do registro no CRM) para procurar um cargo de médico generalista neste mundão de nosso-senhor-jesus-cristo, resolvi retomar minhas leituras do filósofo francês Michel Foucault. Páginas notadamente sempre instigantes e que exigem fôlego!
E para (re)começar, por que não pelo último livro publicado? Por que não começar de suas últimas aulas no College de France? Pois bem, esta foi a minha iniciativa. Estou lendo "O governo de si e dos outros", compilado de uma série de aulas do curso ministrado entre os anos de 1982 e 1983.
E para (re)começar, por que não pelo último livro publicado? Por que não começar de suas últimas aulas no College de France? Pois bem, esta foi a minha iniciativa. Estou lendo "O governo de si e dos outros", compilado de uma série de aulas do curso ministrado entre os anos de 1982 e 1983.
Trarei algumas reflexões sobre a primeira parte da palestra datada de 5 de janeiro de 1983.
Procurarei fazer o mesmo com outras aulas presentes no livro, de acordo com as possibilidades (reflexivas, produtivas, construtivas, temporais e criativas) que me forem dispensadas.
Então, começo!
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Foucault inicia seu seminário retomando alguns marcos de seus trabalhos pregressos, uma tentativa de síntese de todo um percurso produtivo de conceitos, seminários, livros. Conta que ao invés de se debruçar na tentativa de compreender uma "História das mentalidades", ou uma "História das representações", seus estudos buscaram compreender uma certa "História do pensamento".
Mas como?
Mas como?
Para desempenhar esta árdua tarefa, Foucault usou como recurso, os focos de experiências que se subdiviam em:
a) Os Saberes possíveis de um determinado momento histórico e cultural;
b) As Normas Comportamentais que regiam as relações sociais;
c) Os Modos de Existência virtuais para sujeitos possíveis num dado momento histórico.
Portanto, pela articulação desses focos de experiência, cada um com suas contribuições, se garantiria a consolidação de uma "História do pensamento".
Ou seja, pela experiência na cultura, com seus saberes heterogêneos, aliadas à matriz de conhecimento vigente, com suas normas (que cursam com o "estabelecimento de um certo tipo de normalidade") que, finalmente, integrariam-se a um certo modo de ser do sujeito normal criariam a atmosfera de vida desta "História do pensamento".
Para compreender estes focos de experiêncais, Foucault irá buscar destrinchá-los, cada uma à sua maneira, retomando pontos vitais, como:
(a) Quanto aos saberes, fará uso das práticas discursivas e as regras de veridicção (regras que permitem construir o que é verdadeiro num dado momento histórico e cultural);
(b) Quanto às normas de comportamento, utilizará as técnicas e procedimentos para conduzir a conduta do outro (a biopolítica), que conduzirá a criação de uma norma, o entendimento das relações de poder, a noção dos procedimentos e finalmente a construção de uma governamentalidade,
e finalmente,
(c) para entender os modos de existências possíveis virutualmente, fará o deslocamento do sujeito à análise de formas de subjetivação, advindas das técnicas ou tecnologias da relação consigo, numa constituição de uma "pragmática de si".
De forma sistemática e resumida, Foucault expõe sua metodologia de pesquisa que visa compreender a "História do pensamento". À partir desses passos metodológicos - os saberes, as normas, as tecnicas de si - seus estudos tomaram o corpo expressivo que até hoje influenciam nossos conceitos e enfrentamentos atuais.
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Um Acontecimento
Este conceito, de acontecimento, é trabalhado pelo autor, no final da primeira metade desta primeira aula de 1983, ao retomar um texto de Kant, "Was ist Aufklärung?" (O que é esclarecimento?). O que seria um acontecimento?
Um acontecimento, para um filósofo que se interroga frente a esse "nosso", que o constitui e que exige de si apontamentos, está ligado ao valor de sinal que lhe contém. Ou seja, um acontecimento apresentaria um valor de sinal rememorativo, demonstrativo e prognóstico simultaneamente.
E para exemplificar este acontecimento, o autor cita a Revolução (e se debruça sobre a Revolução Francesa) para exemplificar suas características ou sinais que lhe garantiriam o posto de "acontecimento".
A Revolução seria um acontecimento, não porque irá implementar grandes mudanças na organição social vigente, ou porque irá destruir grandes monumentos representantes de um passado opressor, mas porque a Revolução vai muito mais além do que seu foco, seus revoltados, suas palavras de ordem, seus protestos, seus espetáculos... A Revolução é um acontecimento porque de certa forma tem uma dimensão contagiante, que arrasta como uma onda outros envolvidos neste caldo efervecente.
Assim, por portar, segundo Kant, "uma simpatia de aspiração que beira ao entusiasmo", a Revolução é um tipo de acontecimento, composto por sinais de rememoração, demostração e de prognóstico.
E o que fazer da vida atual, senão a busca por acontecimentos? Será que o entendimento do atual não nos exija averiguar a existência desses acontecimentos?
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Um acontecimento, para um filósofo que se interroga frente a esse "nosso", que o constitui e que exige de si apontamentos, está ligado ao valor de sinal que lhe contém. Ou seja, um acontecimento apresentaria um valor de sinal rememorativo, demonstrativo e prognóstico simultaneamente.
E para exemplificar este acontecimento, o autor cita a Revolução (e se debruça sobre a Revolução Francesa) para exemplificar suas características ou sinais que lhe garantiriam o posto de "acontecimento".
A Revolução seria um acontecimento, não porque irá implementar grandes mudanças na organição social vigente, ou porque irá destruir grandes monumentos representantes de um passado opressor, mas porque a Revolução vai muito mais além do que seu foco, seus revoltados, suas palavras de ordem, seus protestos, seus espetáculos... A Revolução é um acontecimento porque de certa forma tem uma dimensão contagiante, que arrasta como uma onda outros envolvidos neste caldo efervecente.
Assim, por portar, segundo Kant, "uma simpatia de aspiração que beira ao entusiasmo", a Revolução é um tipo de acontecimento, composto por sinais de rememoração, demostração e de prognóstico.
E o que fazer da vida atual, senão a busca por acontecimentos? Será que o entendimento do atual não nos exija averiguar a existência desses acontecimentos?
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