sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

(En)cantos em versos

(En)cantos

Cantaria a você uns versos de Shakespiere

Se o meu inglês não fosse tão americano

Talvez pintasse Renoir

Se meus impulsos não fossem tão à Van Gogh

Se as minhas mãos não fossem tão duras

Quanto a sua indiferença.

Se gostasse de beber,

Lhe daria um vinho

Feito da uva mais coronária possível.

E de comida,

Lhe daria a vida

A lida, a partida ganha

Em todos os gramados

E aos desterrados

Daria a terra fecunda de seus lábios

Mas você não quis meus encantos

E dos cantos

Fiz o silêncio

E pelos trancos

Fechei meus olhos com força

Engoli o veneno da vingança

Gritei seu nome aos sete ventos

E a resposta fria veio como de costume

Pedi para que não mais encontrasse você pelo caminho

Que rotas alteradas me levassem ao longe de você

E agora, em fatalidade,

Lhe encontro face a face

Seus encantos mais lívidos

Meus prantos mais vívidos

Sinto-me fraco

Mas resisto

E pisco

E você

Some no vazio que me preenche em sua ausência

E com meus cantos expostos

Sigo até meu próximo recanto,

Os resquícios mnemônicos ainda cristalizados de seus encantos

E canto a dureza da incerteza

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