(En)cantos
Cantaria a você uns versos de Shakespiere
Se o meu inglês não fosse tão americano
Talvez pintasse Renoir
Se meus impulsos não fossem tão à Van Gogh
Se as minhas mãos não fossem tão duras
Quanto a sua indiferença.
Se gostasse de beber,
Lhe daria um vinho
Feito da uva mais coronária possível.
E de comida,
Lhe daria a vida
A lida, a partida ganha
Em todos os gramados
E aos desterrados
Daria a terra fecunda de seus lábios
Mas você não quis meus encantos
E dos cantos
Fiz o silêncio
E pelos trancos
Fechei meus olhos com força
Engoli o veneno da vingança
Gritei seu nome aos sete ventos
E a resposta fria veio como de costume
Pedi para que não mais encontrasse você pelo caminho
Que rotas alteradas me levassem ao longe de você
E agora, em fatalidade,
Lhe encontro face a face
Seus encantos mais lívidos
Meus prantos mais vívidos
Sinto-me fraco
Mas resisto
E pisco
E você
Some no vazio que me preenche em sua ausência
E com meus cantos expostos
Sigo até meu próximo recanto,
Os resquícios mnemônicos ainda cristalizados de seus encantos
E canto a dureza da incerteza
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