O Tombo
Andava pelas ruas,
com minhas amarras,
sandálias de vento,
cujos passos e rasteiras,
em intermitentes permutas,
me conduzem ao chão.
Quando caio,
levo as mãos ao solo,
um piso que não me reconhece,
em seu concreto traço,
de fragilidade disfarçado.
Quando caio,
olho ao redor da cena.
Desejo-me invisível
aos olhos humanos,
tão aplicados nas comparações do tormento.
Quando caio,
finjo-me de morto por alguns instantes.
E aos poucos,
do susto e dos risos
faço percepção.
Olho para meu interior,
Estrela em retração,
vejo meu reflexo,
nítido ao espelho da vergonha,
e de mim,
de um eu que só me visita
em súbitos acessos de teimosia,
lembro dos tempos em que cair
era a forma de dar passos mais longos,
e apoiar-se,
era fazer da força alicerce.
E assim, bato as mãos,
antes confeitadas
com o pó do medo
e as plumas do asfalto,
ergo-me das profundezas do vacilo,
até o próximo local,
em que o cadarço do destino,
Se desata ao convite de um encontro,
Inesperado e doloroso,
Entre a carne e o solo,
O corpo e a alma,
Entre o caminho e a pedra,
Entre a marionete e suas cordas,
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