
Voltando a Camus,
Teço como mote de uns versos o julgamento do estrangeiro tão anfitrião da alma humana,
Meursault e suas ambivalências tão cotidianas...
O julgamento
Julgam-me
Não entendo o porquê
Talvez, seja
porque sou homem
porque sou fraco
porque sou estrangeiro
porque sinto intensamente
e vivo sem da vida fazer reticências...
Na verdade, não julgam-me
Condenam-me
Sou réu confesso
porque não padeço
porque não careço
porque não compadeço
e sinto que as mentiras são tão necessárias...
A sentença está tomada
Os caminhos, duvidosos
As alegrias, repentinas
As platéias, famintas
E os gritos de ódio,
A ambígua contestação de quem do mundo se expulsa
Mas não se compreende.
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