segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sem sal

Sem Sal

Sabe o que mais me irrita em você?
É que você é tão previsível,
tão morno,
tão bolacha água e sal!

Acredita nos editoriais,
dá risada dos comerciais,
fala de política,
como se vendesse balas no semáforo!

Isso é de dar nos nervos,
ouvir sua conversa muda,
que só grita com os olhos,
ou quando te insulto,
com impropérios,
ou indultos.

Irrito-me a certo ponto
que desejo-lhe
nos momentos em que me afogo
nas torrentes da raiva
que você tome morada
eterna e gelada,
nas sombras eternas,
para não mais me coçar
com as pulgas da paciência,

Contudo, 
num segundo,
já revolvo as opiniões,
grito de joelhos,
lamúrias e perdões,
e justifico
que ser sem sal,
em meio a obesos,
hipertensos e bufões,
pode até ser uma palatável,
deglutível e suspirável,
prato encorpado, 
se bem acompanhado,
um caldo de relação!

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