Nas últimas décadas o interesse pelos artistas da fome diminuiu bastante. Se antes compensava promover, por conta própria, grandes apresentações desse gênero, hoje isso é completamente impossível. Os tempos eram outros.
Franz Kafka
As surpresas certamente engrossam o caldo da vida. Ver um teatro baseado na obra de Kafka "Um artista da fome" compôs e muito com uma das minhas fomes mais rutilantes: a fome pela arte de viver!
Peça belíssima esta que ocorreu no CIS Guanabara!
Para os interessados, vejam o link - http://www.cisguanabara.unicamp.br/050612.htm - que traz mais informações sobre a peça em questão e suas "irmãs", também baseadas nas obras de Kafka que serão apresentadas até meados de julho, "no chapéu".
O artista, o da fome, resistia bravamente em sua arte de jejuar, pois via no jejum não seu negativo (a falta de), mas seu positivo (o distanciamento dos "maus alimentos").
No jejum, artista e arte se encontram num só tempo-espaço, entre carne e ossos, arte de confronto, de resistência.
Preciso acordar o artista da fome, este farrapo que mingua num canto escuro do picadeiro-de-mim, ofuscado pelas atrações estroboscópicas da cultura do espetáculos em que dioturnamente me afoga.
Talvez uma releitura da obra de Kafka faça sentido para a busca de novos conceitos, esta travessia orgulhosa e não menos arriscada, de ser um artista faminto pela arte da vida, em atos singelos mas que "enchem o mundo de justificado espanto".
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