quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ruidos

Motivado por Beckett

"O que resulta claramente dos ruídos que chegam até mim é que não sou totalmente surdo"

Ruídos. 

O que posso dizer, sinteticamente, das pequenas perturbações que me tiram dos eixos do comodismo, da "conduta mantida" tão corriqueiramente caligrafada nos prontuários da lida! Uns acúfenos de inquietação, de indignação, de espanto pelas potências do humano fazem-se necessários. Nos mais singelos e inesperados encontros, ouvir o badalar dessas diferenças. Frente aos ruídos, recusar os fones, a música da ambiência frajuta, da monotonia dos protocolos, das frases prontas, dos timbres sedutores da individualidade. Que eu continue, surdamente disposto, a ouvir estes zumbidos, que me tiram de minha constância rumo a vertiginosa roleta do improviso do eu. Ponto de gritantes interrogações na sonora travessia dos altos e baixios tons do passear pela vida. Sem "tato" na língua, sem cera nos ouvidos! Ouço vozes, em coro unísono, que me dizem: "carece de se ter coragem..." 

Sigo cego e surdo, com meus barulhos.

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