quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sobre o Exame do CREMESP

Iniciarei com este texto, fomentado após a leitura de um dos textos editoriais da Folha de São Paulo do dia de hoje, minha tragetória argumentativa frente as investidas do CREMESP em tangenciar de maneira arbitrária e despótica a temática da educação médica no estado de São Paulo.

É isso. Por enquanto...
Adelante...

Prezada Folha

Muito me angustia ver a questão da Educação Médica ser tratada de forma reducionista e maniqueísta como vejo reiteradas vezes pela mídia impressa e televisiva deste país. Tratada de forma paliativa, portanto, tendo no Exame do CREMESP a transfiguração da panacéia para a erradicação da má-formação de médicos no estado. 

Como estudante do último ano do curso médico de uma universidade respeitada deste país venho me posicionar contra a última descoberta miraculosa das últimas semanas: uma prova pontual, reducionista e punitiva como ferramenta para a melhoria da Educação Médica deste estado brasileiro que se julga de vanguarda na esfera de discussões profundas e engajadas.

Como acadêmico do curso médico sou favorável à avaliações como parte integrante do processo ensino-aprendizagem. Não vejo em uma prova única que, históricamente, tem uma baixa adesão e recebeu boicotes constantes de instituições que observam a profundidade deste tema, como um sinalizador de que apostar em uma prova finalista e potencialmente ranqueadora não é uma opção que irá, além de um diagnóstico sugestivo, implementar práticas de melhoria substancial à Educação Médica e a assistência à população.

Discordo do exposto em "Paliativo Médico", no quesito que indica que se pode basear em dados referentes a apenas 15% dos egressos extrapolações exageradas a cerca dos déficits educacionais na área médica. Não nego a existência de deficiências, que são mais ou menos profundas em cada instituição de ensino. Mas o que dizer dos médicos nos rincões deste país que não participam de processos de educação continuada e capacitação deste pais? 

Contudo não é numa prova deglutida às pressas, à surdina da participação discente, magicamente e unanimamente tida como ferramenta de caráter obrigatório que, ao meu ver, hipermétrope talvez, se deva acreditar que se problematizará a questão. Vejo nesta obrigatoriedade uma vontade afoita e sedenta por dados em busca de extrapolações que balizarão num destino não tão afastado a imposição obrigatória de um exame de certificação obrigatório, e por conseguinte, de mais um filão do mercado - um novo método de ensino preparatório para exames específicos, vulgo os "aclamados cursinhos''.

Concluo dizendo que a discussão sobre a Educação Médica deve sair dos muros universitários, mas de maneira crítica e menos sensacionalista. A opinião da população sobre o "médico que desejamos formar" é essencial. Mas este ambiente de debate não é encistado num solo repressivo, punitivo como de uma prova de múltipla escolha. Recuso-me a crer em avanços sérios na discussão de uma Educação Médica socialmente referenciada alicerçada na fragilidade de 4 ou 5 opções a serem assinaladas, pouco representativas de um montante de 6 anos mínimos de estudo, constituído por atividades essencialmente prático-teóricas em caráter integral!

Não vejo meias soluções para problemas complexos. Avaliações continuadas, provas práticas, entrevistas com usuários do SUS atendidos em hospitais escolas, avaliação entre pares, avaliações externas (desde que envolvidas em profundidade e com propósitos claros frente aos resultados obtidos) são bem-vindas à saúde da Educação Médica.

Pois, do contrário, não teremos um paliativo médico, mas o suicidio, "a doença da morte" des iniciativas que realmente dedicam à Educação (não só médica) um status de emancipação cidadã desses futuros profissionais. Do contrário, a posologia insossa e torpe do corporativismo falará mais alto.

Fabrício Donizete da Costa (Bambu)
Acadêmico do ultimo ano do curso médico pela Universidade Estadual de Campinas
Ex-Coordenador Discente da Regional São Paulo da Associação Brasileira de Educação Médica

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